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17/Sep/2026

Dólar recua com quadro eleitoral e fluxo cambial

O dólar encerrou o pregão desta quarta-feira (16/09) em leve baixa ante o Real, apesar do fortalecimento da moeda norte-americana no exterior após a decisão do Federal Reserve (Fed) de elevar os juros dos Estados Unidos. O movimento doméstico foi influenciado pela percepção de participantes do mercado sobre o quadro eleitoral brasileiro, pela manutenção do petróleo acima de US$ 100,00 por barril e pela melhora do fluxo cambial na segunda semana de setembro. O dólar chegou a R$ 5,16 na máxima da sessão, acompanhando o pico da moeda norte-americana no exterior, mas perdeu força na reta final e terminou cotado a R$ 5,15, em baixa de 0,07%. A mínima foi de R$ 5,13. Na primeira parte da semana, a moeda acumula alta de 0,51% ante o Real. Em setembro, ainda registra queda de 0,55%, após valorização de 2,16% em agosto. No ano, a baixa acumulada é de 6,15%.

O desempenho do Real ficou entre os mais firmes das principais moedas líquidas, em conjunto com o peso chileno. No mercado doméstico, operadores associaram parte da sustentação do Real às expectativas relacionadas à eleição presidencial de 2026 e aos chamados trackings eleitorais. Levantamentos e monitoramentos divulgados nas últimas semanas passaram a ser incorporados às avaliações dos agentes financeiros sobre o prêmio de risco e o comportamento dos ativos brasileiros. A manutenção do petróleo acima de US$ 100,00 por barril, mesmo com queda superior a 3% nas cotações da commodity na sessão, também contribuiu para o desempenho do real, ao favorecer os termos de troca do Brasil. Dados do Banco Central indicaram melhora do fluxo cambial na segunda semana de setembro, reduzindo as pressões de demanda por moeda norte-americana no mercado doméstico.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) elevou a taxa básica de juros em 0,25%, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, em decisão unânime. Foi a primeira alta desde julho de 2023. O comunicado destacou que a atividade econômica segue em expansão em ritmo sólido, enquanto a inflação permanece elevada, e a instituição reiterou o objetivo de conduzir a inflação de volta à meta de 2%. As projeções atualizadas dos dirigentes do Fed indicaram possibilidade de novo aumento dos juros ainda em 2026. A mediana das projeções aponta uma taxa de 4% a 4,25% no fim do ano, o que corresponde a mais 0,25 ponto porcentual em relação ao intervalo atual. A autoridade monetária também revisou suas projeções econômicas, com inflação mais elevada e crescimento maior em 2026. Na entrevista após a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, manteve uma comunicação concentrada na persistência da inflação e na necessidade de avaliar os próximos dados econômicos antes de definir a trajetória dos juros.

A sinalização reforçou a percepção de que a política monetária norte-americana poderá permanecer restritiva por mais tempo, dando suporte aos rendimentos dos Treasuries e ao dólar no exterior. O índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,65%, aos 100,265 pontos, após superar 100,300 pontos na máxima. A taxa da T-note de 2 anos avançou mais de 15 pontos-base e chegou a 4,73%, refletindo a revisão das expectativas para a política monetária norte-americana. No Brasil, o mercado operava à espera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa predominante era de redução de 0,25% da Selic, de 14% para 13,75% ao ano. A redução já estava amplamente incorporada aos preços dos ativos, de modo que a reação do câmbio dependeria principalmente da sinalização do Banco Central sobre a continuidade ou eventual interrupção do ciclo de cortes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.