16/Sep/2026
A implantação da safra brasileira 2026/27 começa sob forte contraste climático entre as regiões produtoras. O Sul deve concentrar os maiores volumes de chuva nos próximos 15 dias, enquanto o interior do Matopiba tende a permanecer com pouca precipitação e baixa umidade relativa até o fim de setembro. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica acumulados superiores a 70 milímetros em áreas do Sul, com avanço das chuvas também para o sul de Minas Gerais, Rio de Janeiro e leste de São Paulo. Em contrapartida, a precipitação deve continuar mais escassa no interior de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O cenário ocorre no início da implantação das lavouras de verão. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que o plantio da soja já começou em Mato Grosso e no Paraná. No milho de primeira safra, 17,8% da área prevista já estava semeada, com concentração dos trabalhos no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Neste último Estado, mais da metade da área projetada já havia sido plantada.
Em outubro, a distribuição da umidade deve continuar desigual, com persistência do déficit hídrico no centro-norte do País e possibilidade de excesso de água no solo em áreas que receberem chuvas mais intensas. O cenário reforça a influência do El Niño sobre o início do ciclo e amplia a necessidade de acompanhamento das condições de umidade nas principais regiões produtoras. Uma mudança mais abrangente é esperada em novembro, quando os modelos indicam avanço das precipitações a partir do sul da Amazônia em direção ao Centro-Oeste, com extensão para São Paulo e Rio de Janeiro. No Sul, as chuvas devem continuar mais frequentes. Em dezembro, a tendência é de recuperação da umidade do solo na região central e redução das áreas sob déficit hídrico, que deverão ficar mais concentradas no Nordeste e em parte do Norte. A distribuição regional das chuvas deverá produzir impactos distintos entre as culturas. No arroz, a Conab já projeta produtividade 3,7% menor em 2026/27 e considera o El Niño um risco adicional, principalmente no Sul, onde está concentrada a produção nacional.
No feijão, a irregularidade das precipitações no Norte e Nordeste e o excesso de umidade no Sul podem provocar perdas de rendimento e qualidade. No milho, as condições climáticas também poderão afetar o calendário da 2ª safra de 2027. A Conab projeta aumento de 3,7% da área, para 18,48 milhões de hectares em 2026/27, mas o potencial produtivo dependerá do ritmo de implantação da soja e da janela disponível para a semeadura do cereal. Eventuais atrasos no plantio da oleaginosa ou alterações nas condições de umidade podem reduzir a janela operacional para o milho. No Sul, o risco climático inclui ainda a possibilidade de tempestades durante a primavera, com ocorrência de granizo e ventos mais fortes. O excesso de chuva já vinha sendo registrado na região. Em agosto, Jaguarão e Bagé, no Rio Grande do Sul, acumularam volumes superiores a 250 milímetros, segundo dados apresentados pelo Inmet. O quadro reforça a necessidade de monitoramento das condições meteorológicas e dos avisos de eventos severos durante a implantação da safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.