15/Sep/2026
O dólar reduziu significativamente o ritmo de alta ante o Real nesta segunda-feira (14/09), acompanhando a moderação dos preços do petróleo, e encerrou cotado a R$ 5,14, alta de 0,44%. Em meio ao maior nível de aversão a risco no exterior, a moeda norte-americana chegou a superar R$ 5,18. A busca por acordos relacionados aos dois conflitos que restringem a oferta de petróleo ajudou a reduzir os temores de um choque ainda maior nos preços de energia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que o Irã estaria disposto a negociar um acordo e informou que Rússia e Ucrânia teriam concordado em suspender ataques contra a infraestrutura energética dos dois países. A sinalização contribuiu para aliviar parcialmente a pressão sobre as cotações do petróleo e, consequentemente, sobre o dólar. O Brent para novembro, que havia se aproximado de US$ 110,00 por barril e atingido máxima de US$ 109,80 por barril, fechou a US$ 105,68 por barril, alta de 1,02%.
Com o resultado, o petróleo acumula valorização superior a 15% em setembro e de aproximadamente 75% no ano. O movimento inicial de alta foi provocado por ataques ao oleoduto saudita Leste-Oeste, uma importante rota alternativa de transporte em relação ao Estreito de Ormuz. A escalada do petróleo aumentou a aversão a risco e fortaleceu o dólar globalmente, ao mesmo tempo em que ampliou as preocupações com as perspectivas para a inflação nos Estados Unidos. O tema ganha importância adicional nesta semana, marcada pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed). O alívio também esteve associado às sinalizações de novas negociações entre Estados Unidos e Irã. O mercado reagiu positivamente à possibilidade de avanço diplomático, embora o governo iraniano tenha posteriormente rejeitado a avaliação apresentada por Trump. Mesmo após dois pregões consecutivos de alta, o dólar acumula queda de 0,62% ante o Real em setembro, após valorização de 2,16% em agosto.
Parte da recuperação da moeda brasileira está relacionada à percepção de aumento das chances eleitorais de Flávio Bolsonaro, diante da avaliação de investidores de que a oposição apresenta maior disposição para promover um ajuste das contas públicas. Pesquisa Quaest mostrou Flávio Bolsonaro com 42% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno, numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 40%. Na pesquisa da semana anterior, os dois apareciam empatados em 41%. Levantamento Datafolha indicou Lula com 46% e Flávio com 44%, configurando empate técnico. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua elevado e sustenta parte do chamado carrego do Real, embora esteja em processo de redução. A percepção sobre o cenário eleitoral ainda contribui para a valorização da moeda brasileira, mas, com a redução da incerteza política, o diferencial de juros tende a recuperar importância na formação da taxa de câmbio.
O cenário esperado para a chamada superquarta, com possibilidade de alta de 0,25% dos juros pelo Federal Reserve (Fed) e novo corte de 0,25% da taxa básica brasileira, implica redução adicional do diferencial entre as taxas doméstica e norte-americana. Bank of America e HSBC revisaram suas projeções para a Selic no fim do ano, passando a considerar a continuidade do processo de calibração da política monetária nos próximos meses. No exterior, o índice DXY, que acompanha o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, atingiu 99,500 pontos, alta de 0,39%. A taxa da T-note de 10 anos, que chegou a superar 5% pela primeira vez desde 2023 durante a manhã, estava próxima de 4,98% no fim do pregão. Para o câmbio, a decisão do Fed tende a produzir reação limitada, diante do consenso de mercado em torno de um aperto monetário. Ainda assim, o dólar pode acompanhar uma eventual elevação das taxas de juros de curto prazo caso o Federal Reserve adote tom mais duro, especialmente diante da necessidade de maior credibilidade exigida pelo mercado de títulos e da recente pressão de alta dos preços de energia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.