15/Sep/2026
Segundo a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, a ocorrência de um El Niño mais intenso reforça a necessidade de preparar a agropecuária brasileira para eventos climáticos severos, com maior integração entre crédito, assistência técnica e seguro rural. Ressalta-se os efeitos das quebras de safra sobre os custos da produção pecuária, a logística, as carteiras de crédito, o emprego e os preços dos alimentos. A tendência é de chuvas mais fortes e concentradas nas Regiões Sul e Sudeste, enquanto as Regiões Norte e Nordeste podem enfrentar episódios de escassez hídrica. O cenário amplia a exposição dos sistemas produtivos a perdas e reforça a necessidade de estratégias de adaptação de médio e longo prazos. O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) indica que a produção global de alimentos pode recuar até 14% até 2050 em decorrência do aumento das temperaturas médias.
A elevação das temperaturas e a maior frequência e intensidade de eventos extremos exigem mudanças estruturais nos mecanismos de proteção da produção agropecuária. As políticas atuais de crédito e proteção rural apresentam limitações para responder integralmente aos riscos associados à maior variabilidade climática, especialmente entre os pequenos produtores. Nesse contexto, o crédito agrícola e o seguro rural precisam estar associados à assistência técnica contínua, de forma a permitir que os recursos sejam direcionados à adoção de sistemas produtivos mais resilientes. A restrição da oferta de assistência técnica para a agricultura familiar reduz a capacidade de transformar o crédito contratado em investimentos estruturais de adaptação e de proteção contra eventos climáticos recorrentes.
Para reduzir as perdas de produção e elevar a resiliência dos sistemas agropecuários, a Coalizão Brasil defende a expansão de sistemas agroflorestais (SAFs), da integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e de práticas de manejo regenerativo do solo. Essas estratégias podem contribuir para melhorar a capacidade de retenção de água, reduzir a vulnerabilidade dos cultivos a extremos climáticos e ampliar a estabilidade produtiva. A necessidade de adaptação ganha maior relevância diante da perspectiva de continuidade do aumento das temperaturas médias. A combinação de crédito, seguro rural, assistência técnica e tecnologias de produção resilientes passa a ser considerada fundamental para reduzir os impactos econômicos das quebras de safra e preservar a capacidade produtiva da agropecuária brasileira diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.