11/Sep/2026
O dólar fechou em baixa ante o Real nesta quinta-feira (10/09), em movimento contrário ao observado no exterior, após nova pesquisa eleitoral mostrar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo Palácio do Planalto, embora em situação de empate técnico. A moeda norte-americana encerrou a sessão com queda de 0,20%, a R$ 5,10, acumulando baixa de 7,06% no ano. O dólar chegou a avançar ante o Real no início da sessão, acompanhando a valorização da moeda norte-americana frente à maior parte das demais divisas. A cotação atingiu a máxima de R$ 5,14, alta de 0,70%, mas perdeu força em meio às expectativas do mercado em relação à nova pesquisa eleitoral. A mínima foi de R$ 5,08, queda de 0,57%, antes mesmo da divulgação do levantamento.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio Bolsonaro com 46,4% das intenções de voto em um eventual segundo turno, ante 46,2% de Lula. Considerando a margem de erro de 1%, os dois candidatos permanecem tecnicamente empatados, mas a vantagem numérica de Flávio foi interpretada de forma positiva pelo mercado financeiro. A percepção está relacionada à avaliação de parte dos investidores de que uma eventual reeleição de Lula representaria maior dificuldade para o controle das contas públicas e, consequentemente, para a trajetória da inflação. Nesse contexto, sinais de fortalecimento eleitoral de Flávio Bolsonaro tendem a favorecer o Real e contribuir para a redução do dólar.
No exterior, o movimento foi oposto ao registrado no Brasil. A moeda norte-americana avançou frente à maior parte das principais divisas em uma sessão marcada pela forte alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelo avanço do petróleo Brent para acima de US$ 107,00 por barril. O índice do dólar, que acompanha o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,31%, aos 99,084 pontos. O ambiente externo também foi influenciado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. Os Houthis, alinhados ao Irã, assumiram o controle do porto iemenita de Mocha, aumentando a preocupação com o tráfego marítimo no Mar Vermelho. O trânsito pelo Estreito de Ormuz permaneceu restrito diante da intensificação dos ataques a petroleiros na região nos últimos dias. A combinação de maior risco geopolítico e petróleo mais caro reforçou a pressão internacional sobre moedas emergentes, mas esse movimento não prevaleceu sobre o fator eleitoral no mercado brasileiro.
O Banco Central atuou no mercado de câmbio no início do dia, com dois leilões simultâneos. Foram vendidos US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos, no valor de US$ 1 bilhão, de swap cambial reverso, operação cujo efeito equivale à compra de dólares no mercado futuro. A combinação das duas operações, conhecida como casadão entre investidores, tem efeito teórico nulo sobre a cotação, pois envolve venda de US$ 1 bilhão em uma ponta e compra de US$ 1 bilhão na outra, além de proporcionar liquidez ao mercado. O Banco Central também vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para a rolagem do vencimento previsto para 1º de outubro. A atuação ocorreu em um mercado no qual os fatores externos permanecem pressionando o dólar, mas o cenário eleitoral doméstico passou a exercer influência relevante sobre a formação da taxa de câmbio. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.