10/Sep/2026
Mesmo com a taxa Selic em nível elevado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, de janeiro a julho de 2026, R$ 17,86 bilhões em financiamentos para aquisição de máquinas e equipamentos destinados a parques fabris, alta de 14% ante os R$ 15,66 bilhões aprovados no mesmo período de 2025. Em todo o ano passado, o banco aprovou R$ 33,94 bilhões para o segmento. A aprovação corresponde à etapa em que o BNDES autoriza as operações de crédito solicitadas pelas empresas, antecedendo a efetiva liberação dos recursos por meio dos desembolsos. O indicador funciona como termômetro do apetite de determinados setores para contratação de crédito e realização de novos investimentos. No caso de máquinas e equipamentos, os desembolsos ocorrem, em geral, ao longo de dois a três anos, o que significa que o volume aprovado não corresponde necessariamente ao investimento já realizado.
O montante aprovado entre janeiro e julho de 2026 é o maior da série histórica do BNDES iniciada em 2016, primeiro ano sem o Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Criado em 2009 para enfrentar os efeitos da crise financeira internacional, o PSI oferecia, por meio do BNDES, linhas de crédito com juros subsidiados para aquisição de máquinas e equipamentos destinados à ampliação da capacidade produtiva. A mudança de patamar também aparece na comparação de períodos mais longos. Entre janeiro de 2023 e julho de 2026, o BNDES aprovou R$ 116,5 bilhões em crédito para aquisição de máquinas e equipamentos da indústria nacional. O valor supera, em três anos e meio, os R$ 110,8 bilhões aprovados entre 2016 e 2022. O avanço das aprovações está associado à estratégia de recolocar o BNDES no centro da política de aumento da produtividade. O parque fabril brasileiro tem idade média de 14 anos e apresenta equipamentos que, em muitos casos, estão tecnologicamente defasados.
Nesse contexto, a renovação do maquinário é considerada estratégica para ampliar a capacidade produtiva e modernizar a indústria nacional. O volume aprovado de janeiro a julho de 2026 contempla linhas tradicionais, como a Finame, que opera com a Taxa de Longo Prazo (TLP), e programas com taxas inferiores às praticadas no mercado. Entre essas iniciativas estão o BNDES Mais Inovação, incluindo a linha de Manufatura 4.0, o Fundo Clima e o Plano Brasil Soberano, programa federal destinado a apoiar empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos e por conflitos internacionais. Adotada nos novos contratos do BNDES a partir de 2018 em substituição à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), a TLP reduziu o componente de subsídio público dos financiamentos e aproximou o custo do crédito das condições de mercado. Embora não seja diretamente equivalente à Selic, a taxa tornou o custo das operações mais sensível ao ambiente de juros da economia do que ocorria sob a TJLP.
O prazo dos financiamentos e os períodos de carência oferecidos pelo BNDES contribuem para reduzir o impacto do custo financeiro sobre as empresas. O banco também vem ampliando as alternativas de financiamento com taxas incentivadas. A maior parte das operações ainda é contratada a taxas de mercado, mas o conjunto de linhas incentivadas permite reduzir o custo de projetos considerados estratégicos. A expectativa é de manutenção das aprovações em patamar elevado mesmo com a Selic em 14% ao ano. O financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos contribui para elevar a produtividade, a eficiência econômica e a capacidade produtiva da indústria nacional e pode atuar também na redução da pressão inflacionária, ao ampliar a produção com maior capacidade e qualidade. Apesar do avanço das aprovações do BNDES, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) identifica um cenário de estagnação.
A entidade revisou para baixo a projeção para as vendas totais do setor em 2026, de queda de 3,2% para retração de 8,4%, diante do impacto dos juros elevados sobre as decisões de investimento e do aumento da concorrência chinesa. A Abimaq avalia que parte do crescimento das aprovações do BNDES está relacionada à expansão de linhas com taxas incentivadas, incluindo programas voltados à inovação, ao Fundo Clima e ao Plano Brasil Soberano, e não necessariamente a uma retomada generalizada dos investimentos. A Nova Indústria Brasil, lançada em 2023, com implementação das linhas a partir de 2024, também contribuiu para reduzir o custo de financiamento de máquinas e equipamentos direcionados à inovação e à indústria 4.0, favorecendo o investimento. O crédito mais barato, entretanto, não representa necessariamente uma retomada da demanda por máquinas e equipamentos.
O custo de capital ainda pode permanecer elevado em relação ao retorno esperado dos investimentos, enquanto a incerteza econômica leva as empresas a preservar caixa e adiar projetos de expansão ou renovação da capacidade produtiva. Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), a diversificação dos instrumentos utilizados pelo BNDES também ajuda a explicar o crescimento das aprovações, com participação de fundos garantidores e linhas vinculadas à Taxa Referencial (TR) para projetos de inovação. O crescimento das aprovações ocorre sobre uma base ainda baixa, após anos de redução da carteira do BNDES. Em relação ao tamanho da economia, os desembolsos do banco permanecem abaixo do patamar observado antes da crise de 2015 e 2016, apesar da expansão registrada a partir de 2022. Nesse contexto, o aumento das operações do BNDES ainda não representa um impulso expressivo para o investimento agregado. A preservação dos investimentos, mesmo em um ambiente de juros elevados, é considerada relevante para evitar impactos negativos sobre a capacidade produtiva do País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.