10/Sep/2026
A educação brasileira manteve desempenho estatisticamente estável no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) na última década, mesmo diante dos impactos da pandemia de Covid-19 e de períodos de crise econômica. Em uma perspectiva de 20 anos, porém, o Brasil ampliou a participação de crianças na escola, melhorou os resultados e reduziu a distância em relação às nações mais ricas, que enfrentam uma crise histórica de aprendizagem. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) classificou o Brasil como exemplo positivo na avaliação do desempenho ao longo de duas décadas. O Ministério da Educação (MEC) também destacou a resiliência do sistema educacional brasileiro após a pandemia. O Pisa avalia estudantes de 15 anos em Ciências, Matemática e Leitura. Nesta edição, a avaliação também incluiu Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais. Em 2025, participaram 91 países ou regiões.
No Brasil, foram avaliados 30.140 estudantes de 1.053 escolas. A OCDE identificou uma deterioração global do desempenho, associada à perda de concentração e atenção dos jovens e à redução do hábito de leitura em um ambiente marcado pelo aumento do tempo diante de telas e pela expansão da inteligência artificial. O consumo acelerado de conteúdos em redes sociais e o processamento de informações em alta velocidade podem ter contribuído para a redução da capacidade e da motivação dos estudantes para lidar com textos e dados complexos. O Brasil foi classificado como de baixo desempenho em três das quatro áreas avaliadas. Em Leitura, o País ficou abaixo da média, patamar superior ao de baixo desempenho, mas ainda inferior ao observado nas nações mais ricas. O Brasil foi o único país a ampliar significativamente a participação no Pisa e, simultaneamente, manter desempenho estável desde 2015, considerando as oscilações positivas e negativas nas notas.
Em outros sistemas educacionais, houve recuos em algumas áreas no mesmo período. Entre os países que ampliaram a cobertura da avaliação, apenas Camboja, República Dominicana e El Salvador registraram avanço em alguma das três áreas tradicionais do Pisa. Cerca de 20% dos estudantes de 15 anos das nações mais ricas apresentam baixo desempenho simultaneamente em Leitura, Matemática e Ciências, ante 16% em 2022. Esse grupo não dispõe das habilidades básicas consideradas necessárias para avançar na educação superior, ingressar no mercado de trabalho e lidar com situações da vida cotidiana. A maior deterioração global ocorreu em Leitura, com queda registrada em três quartos dos sistemas educacionais entre 2018 e 2025. O aumento da digitalização, do tempo de exposição às telas e a redução da frequência de leitura por prazer ocorreram simultaneamente e contribuíram para resultados mais fracos em alfabetização.
O recuo em Leitura é particularmente relevante porque a habilidade é fundamental para o desempenho nas demais áreas do conhecimento. Dinamarca, Noruega, Espanha e Suécia registraram perdas superiores a 20 pontos, equivalentes a aproximadamente um ano de aprendizagem. Entre os países de melhor desempenho, todos apresentaram queda em Leitura, com exceção do Reino Unido, que manteve a pontuação. O Pisa não estabelece uma pontuação máxima ou mínima. A escala é estruturada em torno de uma média de aproximadamente 500 pontos, com desvio-padrão de 100 pontos. Entre as áreas avaliadas, Leitura foi aquela em que o Brasil apresentou a melhor posição relativa. O País ficou em 52º lugar, atrás de Chile, na 37ª posição, e Uruguai, na 42ª. Os estudantes brasileiros obtiveram 408 pontos em Leitura em 2025, ante 410 em 2022 e 407 em 2015. Apesar das variações, a OCDE considera o resultado estatisticamente estável.
Cerca de 49% dos alunos brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência, ante 69% na média da OCDE. Nesse nível, os estudantes conseguem compreender e interagir com textos simples do cotidiano, localizar informações específicas, conectar diferentes dados para estabelecer um significado coerente, avaliar a credibilidade de um texto e começar a distinguir fatos de opiniões. Em Ciências, o Brasil ficou na 67ª posição e registrou o maior avanço entre as áreas avaliadas na comparação com uma década antes. A nota passou de 401 pontos em 2015 para 409 pontos em 2025, avanço de 8 pontos. O resultado também superou os 403 pontos registrados em 2022. O País, contudo, permaneceu atrás de Uruguai, na 42ª posição, Chile, na 43ª, e Colômbia, na 63ª. Cerca de 48% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em Ciências. Nesse patamar, conseguem reconhecer a explicação correta para fenômenos científicos familiares e verificar a validade de uma conclusão a partir das informações fornecidas.
O desempenho, porém, ainda não permite utilizar conhecimentos científicos de forma mais elaborada, avaliar evidências ou fundamentar decisões com maior complexidade. Matemática permanece como a principal fragilidade do sistema educacional brasileiro. O País ficou na 71ª posição no ranking, com 377 pontos em 2025, mesma pontuação registrada em 2015 e 2 pontos abaixo dos 379 pontos obtidos em 2022. A nota brasileira ficou 86 pontos abaixo da média da OCDE, de 463 pontos. Apenas cerca de 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em Matemática, ante aproximadamente 65% na média da OCDE. Alcançar esse patamar significa conseguir interpretar matematicamente uma situação simples sem instruções diretas, como comparar a distância entre duas rotas ou converter preços para outra moeda. Estudantes abaixo desse nível enfrentam dificuldades em tarefas básicas do cotidiano, como relacionar unidades e preços em uma compra ou interpretar uma conta de energia elétrica.
Quase nenhum estudante brasileiro alcançou os níveis mais elevados, 5 ou 6, no Pisa de Matemática. A diferença de desempenho entre países em Matemática também reflete trajetórias distintas de aprendizagem. Estudantes da Áustria, da Escócia, no Reino Unido, e de Singapura apresentaram, ao longo de um ano, progresso aproximadamente duas vezes superior ao observado entre estudantes brasileiros. A OCDE ressalta que um ano de escolaridade não representa uma unidade fixa de aprendizagem, pois produz resultados diferentes conforme o sistema educacional. Entre 2022 e 2025, o Pisa também apontou redução da desigualdade de desempenho entre os estudantes brasileiros. O movimento, entretanto, ocorreu principalmente pela piora dos resultados dos alunos de classes mais altas, e não por avanço dos estudantes em situação de maior vulnerabilidade. A China, representada nesta edição pelas províncias de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, liderou os rankings de Matemática e Ciências, com 612 e 587 pontos, respectivamente.
Em Leitura, Singapura ocupou a primeira posição, com 535 pontos. Outras economias do Leste Asiático, como Japão, Coreia, Macau e Taipei, em Taiwan, também figuraram entre os dez melhores desempenhos. Na Europa, Estônia e Reino Unido apresentaram resultados entre os mais elevados. A crise global de aprendizagem também alterou a posição de países desenvolvidos nos rankings. Portugal, que apresentava desempenho próximo da média da OCDE em Matemática em 2022, passou para abaixo da média em 2025. França e Espanha, que estavam acima da média na mesma disciplina, também passaram a registrar notas inferiores à média dos países desenvolvidos. Na Noruega, o desempenho em Leitura recuou de um nível equivalente à média para abaixo dela. O MEC avaliou positivamente o desempenho brasileiro e destacou a estabilidade do sistema educacional, especialmente diante dos impactos da pandemia.
Entre 2018 e 2025, o Brasil recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em Ciências e registrou perdas inferiores às observadas na média da OCDE em Leitura e Matemática. Em uma perspectiva de aproximadamente duas décadas, o Brasil reduziu significativamente a distância em relação aos países mais ricos, em parte porque essas economias também registraram deterioração de desempenho. Em Leitura, a diferença em relação à OCDE caiu de 102 pontos em 2006 para 58 pontos em 2025. Em Ciências, o diferencial recuou de 113 para 77 pontos no mesmo período. Em Matemática, a distância diminuiu de 131 pontos em 2006 para 92 pontos em 2025. Apesar da redução dos diferenciais, o desempenho brasileiro permanece significativamente inferior à média dos países da OCDE, sobretudo em Matemática. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.