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09/Sep/2026

Dólar em baixa com eleições brasileiras no radar

O dólar exibiu queda firme nesta terça-feira (08/09) e voltou a fechar abaixo de R$ 5,10 pela primeira vez desde o início de agosto. Além do ambiente externo favorável às moedas de países emergentes, especialmente as latino-americanas, o Real foi beneficiado pela redução dos prêmios de risco incorporados aos ativos domésticos, em meio ao aumento das chances da oposição na corrida presidencial. O movimento refletiu a percepção dos investidores de que o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro nas pesquisas pode elevar a probabilidade de um ajuste fiscal no próximo governo. O cenário político também foi influenciado pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que passou a ser considerada favorável à candidatura oposicionista.

Com o quadro eleitoral no radar, o dólar abriu em forte baixa e rompeu o nível de R$ 5,10 na primeira hora de negócios, atingindo a mínima de R$ 5,07, em movimento acompanhado por máximas do Ibovespa acima de 189 mil pontos. A moeda norte-americana reduziu o ritmo de queda e encerrou o pregão com recuo de 0,88%, a R$ 5,08. Nos cinco primeiros pregões de setembro, o dólar acumula baixa de 1,82% ante o Real, após alta de 2,16% em agosto. O Real apresentou o segundo melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, atrás apenas do peso chileno, beneficiado pelas máximas históricas do cobre. As cotações do petróleo avançaram mais de 2%, em meio a novos ataques no Oriente Médio, com o Brent próximo de US$ 97,00 por barril, movimento favorável aos termos de troca brasileiros.

O fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa, associado ao quadro eleitoral, e a revisão para cima das expectativas para os fluxos comerciais relacionados ao petróleo contribuíram para a valorização do real. O apetite dos investidores estrangeiros pelo mercado acionário brasileiro também foi considerado compatível com uma maior probabilidade de ajuste fiscal a partir de 2027. A crise no STF ganhou novo capítulo após a Polícia Federal (PF) revelar relação de proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A Segunda Turma da Corte formou maioria para confirmar decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O afastamento ocorreu após Moraes divulgar trecho de relatório de inteligência da PF que questiona a atuação de Mendonça e aponta que o ministro teria adotado posturas distintas diante de suspeitas envolvendo integrantes do STF.

Reportagem do Estadão informou que o presidente do STF, Edson Fachin, avalia assumir os inquéritos relacionados ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), atualmente relatados por Mendonça. O cenário político também incorporou denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, por suposto tráfico de influência, além das repercussões relacionadas a Alexandre de Moraes. Esses fatores foram considerados potencialmente negativos para a candidatura de Lula. No mercado internacional, investidores estrangeiros demonstram preferência por políticas associadas a contenção fiscal e desregulamentação, enquanto a avaliação para o Real permanece neutra. A projeção de câmbio é de R$ 5,15 em três meses e R$ 5,00 em seis meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.