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09/Sep/2026

El Niño e a previsão para o PIB Agropecuário 2027

A perspectiva de um super El Niño na passagem de 2026 para 2027 levou o Banco do Brasil a ampliar de 0,5% para 2,5% a retração esperada do PIB agropecuário no próximo ano, diante do aumento dos riscos para a produtividade agrícola. Como referência da dimensão do impacto potencial, o banco cita o episódio de 2015/16, quando a safra brasileira encolheu 11,4% e o PIB do setor caiu 5,2%, mas ressalta que aquele resultado não deve ser interpretado como projeção automática para o próximo ciclo. Segundo o Boletim Agro de setembro, a nova estimativa para 2027 tem como premissa um super El Niño com impactos moderados. O risco climático se soma a custos de produção ainda elevados, sobretudo de fertilizantes, em um ambiente global sujeito a restrições de oferta, custos energéticos mais altos e volatilidade.

Para 2026, em contraste, o Banco do Brasil elevou de 1,5% para 2,4% sua previsão de crescimento do PIB agropecuário, apoiada por produção elevada, exportações robustas e avanço dos biocombustíveis. A possibilidade de um evento de alta intensidade ganhou força nas projeções mais recentes. De acordo com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a chance de ocorrência de um El Niño muito forte supera 90% entre setembro e janeiro, enquanto a probabilidade de um episódio de intensidade superior à dos observados desde 1950 chega a 69% no trimestre de outubro a dezembro. O relatório afirma que as projeções indicam elevada chance de manutenção e fortalecimento do El Niño ao longo do segundo semestre.

No Brasil, o efeito esperado é desigual entre as regiões e pode interferir diretamente na implantação da safra 2026/27. Para os próximos meses, as projeções indicam precipitações abaixo da média e temperaturas acima do padrão histórico em grande parte do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, com destaque para Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e Espírito Santo. A combinação entre calor acima da média e chuvas escassas pode elevar o estresse hídrico das lavouras, aumentar a demanda por irrigação e retardar a recomposição das condições necessárias para o início da safra de verão 2026/27. No Centro-Oeste, o principal risco está no atraso, na irregularidade e na má distribuição das chuvas, com possíveis reflexos sobre o calendário agrícola.

As Regiões Norte e Nordeste ficam mais expostos a temperaturas acima da média, déficit hídrico, estresse térmico e queimadas. O Sudeste tende a funcionar como zona de transição, alternando episódios de calor, estiagens localizadas e chuvas mais concentradas. Na Região Sul, o problema tende a ser o oposto. A previsão é de precipitações acima da média, condição que diminui o risco de estiagem, mas amplia a possibilidade de excesso de umidade e de entraves às operações agrícolas. O cenário amplia a probabilidade de excesso de umidade, limita as janelas operacionais para colheita e manejo e aumenta a pressão de doenças em culturas de inverno. Entre as culturas, o milho concentra os riscos climáticos mais elevados em praticamente todas as regiões.

O milho 2ª safra de 2027 tende a ser o mais vulnerável, especialmente nas Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, devido à sensibilidade do cereal ao déficit hídrico e ao encurtamento das janelas produtivas. A soja apresenta maior resiliência relativa, embora permaneça sujeita a perdas relevantes no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e em parte do Centro-Oeste. O café exige atenção especial em Minas Gerais diante da bienalidade negativa prevista para 2027, enquanto o algodão pode encontrar condições mais adversas no Centro-Norte. No arroz, a concentração da produção no Sul mantém a cultura exposta a chuvas excessivas e concentradas. A cana-de-açúcar tende a apresentar maior resiliência, principalmente no Centro-Sul, e a pecuária deverá ser monitorada quanto a possíveis efeitos sobre pastagens, recomposição do rebanho, produção de leite e dinâmica de abate.

Episódios recentes de El Niño, especialmente os de 2015/16 e 2023/24, servem como referência para dimensionar os riscos, mas não devem ser interpretados como projeção mecânica para 2027. No evento de 2015/16, houve forte retração da produção de grãos em áreas relevantes do Centro-Oeste e do Matopiba, além de perdas localizadas no norte do Paraná. O ponto de partida para a nova temporada já indica baixa disponibilidade de água em parte importante do País. Em julho, grande parte do Centro-Oeste e do Sudeste, além do interior do Nordeste, Tocantins, Rondônia e sul do Pará, registrou precipitações escassas e armazenamento hídrico inferior a 15% da capacidade. No Sul, em sentido contrário, as chuvas mantiveram níveis elevados de umidade do solo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.