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09/Sep/2026

Clima e geopolítica impactam nos preços agrícolas

Segundo o Goldman Sachs, os mercados agrícolas enfrentam risco crescente de picos de preços, apesar de terem iniciado 2026 com estoques relativamente confortáveis. A combinação de fatores geopolíticos e climáticos, em um ambiente de maior protecionismo e priorização da segurança alimentar doméstica, eleva o potencial de volatilidade dos preços. A principal preocupação está na ocorrência simultânea de choques de oferta em um mercado no qual as barreiras comerciais podem ser ampliadas rapidamente em resposta a perturbações. A maior preocupação com a segurança alimentar doméstica desde 2020 pode produzir efeitos contraproducentes.

Restrições preventivas às exportações e formação de estoques podem retirar dos mercados globais volumes muito superiores à oferta diretamente afetada pelo choque inicial. Ao mesmo tempo, a fragmentação dos mercados reduz a liquidez e amplia a volatilidade dos preços agrícolas. O conflito no Oriente Médio e os impactos sobre o Estreito de Ormuz constituem o primeiro fator de risco. Interrupções no fornecimento de diesel e fertilizantes podem elevar os custos de produção agrícola. A retomada das preocupações com a segurança energética também pode levar grandes países exportadores a direcionar parcela maior das safras para a produção de biocombustíveis, reduzindo a disponibilidade para exportação.

O cenário afeta tanto os fertilizantes nitrogenados, fundamentais para a produção de grãos, quanto os fertilizantes fosfatados, relevantes para a produção de soja no Brasil. Outro ponto de atenção está nas tensões renovadas entre Rússia e Ucrânia no Mar Negro. A região está associada a 15% a 20% do comércio global de grãos. As exportações de trigo da região já se encontram abaixo dos níveis considerados normais, e a continuidade das interrupções durante o período de maior intensidade das exportações de milho, a partir de outubro, pode ampliar os riscos para o mercado global do cereal. O terceiro fator de risco é a possibilidade de formação de um Super El Niño, com probabilidade superior a 90% de desenvolvimento e potencial para se tornar o episódio mais intenso já registrado.

O fenômeno pode afetar simultaneamente diferentes regiões produtoras por meio de secas e inundações severas, com impactos sobre culturas como o açúcar. O El Niño também pode provocar gargalos logísticos ao reduzir os níveis de água em importantes rotas de navegação, entre elas o Canal do Panamá. Nesse contexto, a combinação entre choques geopolíticos, riscos climáticos e maior fragmentação do comércio internacional aumenta a possibilidade de movimentos mais intensos nos preços agrícolas, mesmo em um cenário inicial de estoques globais relativamente confortáveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.