09/Sep/2026
Segundo o Rabobank, a elevação da taxa Selic encarece o financiamento e aumenta a inadimplência no crédito rural, principalmente entre pessoas físicas. O impacto sobre o risco de crédito também é condicionado pelo comportamento da renda dos produtores e dos preços das commodities no mercado brasileiro. As taxas de juros do crédito rural acompanham os ciclos de aperto monetário. Nos períodos de 2021 a 2023 e de 2024 a 2025, os juros cobrados de pessoas jurídicas se aproximaram ou superaram 14% ao ano. Para pessoas físicas, as taxas permaneceram em níveis inferiores, mas também apresentaram trajetória de alta. A inadimplência das pessoas jurídicas no crédito rural aumentou entre 2019 e 2021, atingindo cerca de 6% ao ano, em um período marcado por medidas temporárias adotadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) durante a pandemia.
Posteriormente, o indicador recuou para níveis próximos de zero. Entre as pessoas físicas, a inadimplência manteve trajetória ascendente e acelerou entre 2024 e 2026, alcançando cerca de 7% ao ano no País. O comportamento da inadimplência do setor não é determinado exclusivamente pela política monetária, mas pela interação entre os juros e as receitas dos produtores. Nos ciclos de 2013 a 2014 e de 2021 a 2022, os preços elevados de soja e milho sustentaram o fluxo de caixa dos produtores e contribuíram para manter os atrasos sob controle, mesmo diante de níveis mais elevados da Selic e do aumento dos custos com fertilizantes. Entre 2024 e 2025, a queda das cotações das commodities, combinada ao encarecimento do crédito, reduziu as receitas e contribuiu para a elevação da inadimplência.
As concessões de crédito rural apresentam comportamento pró-cíclico. Entre 2021 e o início de 2022, o volume de concessões cresceu mais de 60% ao ano, impulsionado principalmente pelas pessoas físicas, antes de recuar em 2023. Em 2024, o crescimento foi liderado pelas pessoas jurídicas, com picos superiores a 60% ao ano, seguido por desaceleração no início de 2025 e sinais de recomposição do ritmo de expansão em 2026. A partir de um modelo de projeções locais utilizado pelo Banco Central, o Rabobank estimou que choques na Selic provocam aumento de aproximadamente 0,1% na inadimplência das pessoas físicas no horizonte de seis a 12 meses. Nas concessões de crédito para esse segmento, o impacto estimado é negativo em 0,05% em seis meses e em 0,03% em 12 meses.
No segmento de pessoas jurídicas, a transmissão da política monetária é menor em razão da participação de linhas de crédito direcionadas e subsidiadas do Plano Safra. Seis meses após um choque na Selic, as concessões para empresas apresentam avanço de 0,37%, sem efeito sobre a taxa de inadimplência do segmento. A análise indica que a expansão da participação do mercado de capitais no financiamento do agronegócio permanece limitada pela exposição do setor aos riscos climáticos e à volatilidade dos preços das commodities. Esse cenário mantém elevada a dependência dos produtores em relação ao crédito bancário e aos programas de financiamento subsidiado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.