08/Sep/2026
Segundo o BTG Pactual, o cenário do crédito rural no Brasil continua em deterioração, com as exposições problemáticas do sistema financeiro nacional atingindo nível recorde. O fluxo de notícias e os dados de julho do Banco Central confirmam um ambiente desafiador para o segmento. O saldo de crédito rural classificado como problemático, que inclui empréstimos em atraso, inadimplentes, prorrogados ou renegociados, alcançou R$ 207,4 bilhões, equivalente a 23,5% da carteira total de R$ 881,6 bilhões do sistema financeiro. O índice de inadimplência dos empréstimos rurais destinados a pessoas físicas também atingiu recorde, de 8,8%. A deterioração foi impulsionada principalmente pelo aumento das operações com atraso superior a 90 dias, que cresceram 20% em relação a junho, de R$ 38,1 bilhões para R$ 45,7 bilhões.
Os empréstimos com atraso entre 15 e 90 dias também avançaram, de R$ 21,2 bilhões para R$ 22,4 bilhões, enquanto as operações prorrogadas passaram de R$ 31,6 bilhões para R$ 32,2 bilhões. Os créditos renegociados alcançaram R$ 106,9 bilhões. A pressão regional é um dos principais pontos de atenção, especialmente no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Sul, as exposições problemáticas chegaram a R$ 44,9 bilhões, correspondentes a 41,6% da carteira de crédito rural de R$ 108,8 bilhões do Estado. A situação ocorre em meio a cinco anos consecutivos de perdas de produção provocadas por secas e inundações.
Em Mato Grosso do Sul, os empréstimos problemáticos totalizaram R$ 19,5 bilhões, mais que o dobro da carteira de R$ 9,5 bilhões classificada como adimplente. Em sentido contrário, o saldo de operações problemáticas recuou em Goiás, para aproximadamente R$ 20 bilhões, e em Mato Grosso, para R$ 21,8 bilhões. Destaque para as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais para acessar as linhas de renegociação de dívidas criadas pela Medida Provisória 1.376/2026. Instituições financeiras têm exigido pagamentos antecipados de até 15% da dívida e garantias adicionais para novas operações de refinanciamento. O relator da medida provisória, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), sinalizou a possibilidade de ampliação do prazo para a prorrogação das parcelas de crédito rural com vencimento próximo. As discussões com o governo federal, contudo, permanecem inconclusivas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.