08/Sep/2026
O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) avalia que a agropecuária gaúcha apresenta potencial de recuperação na safra 2026/27, após cinco temporadas consecutivas de perdas provocadas por eventos climáticos adversos. As estimativas do mercado e do governo estadual indicam produção entre 36 milhões e 40 milhões de toneladas de grãos de verão no Estado. O cenário é considerado favorável pela perspectiva de maior produção e de reação dos preços dos produtos agrícolas. Em anos de El Niño, a safra de grãos do Rio Grande do Sul tende a apresentar condições mais favoráveis, enquanto as cotações vêm mostrando maior sustentação para os próximos meses e para 2027, apoiadas por fatores internos e globais. A combinação de produção elevada e preços firmes pode iniciar um processo de recuperação do agronegócio estadual, com aumento da geração de receita e da rentabilidade. Nesse contexto, o Banrisul busca assegurar recursos aos produtores, principalmente para o custeio da próxima safra.
A expectativa de menor risco de estiagem, associada à projeção de boa produção e comercialização dos grãos em patamares superiores aos registrados nos últimos anos, tende a estimular a permanência dos produtores na atividade. O banco também incentiva investimentos em tecnologia para assegurar níveis mais elevados de produtividade. A disponibilidade adequada de recursos permite a utilização de sementes de maior qualidade, níveis apropriados de adubação e investimentos no solo. O objetivo é oferecer custeio com custo financeiro adequado, contribuindo para a retomada da produção, a geração de renda no campo e impactos positivos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul. A instituição considera que esse processo de recuperação será construído ao longo das próximas safras. O Banrisul também atua na reabilitação de produtores ao crédito por meio da renegociação de dívidas de clientes inadimplentes. Produtores com operações em atraso, mas que apresentam viabilidade econômica do negócio e capacidade futura de pagamento, podem acessar financiamento para o próximo plantio.
A medida busca garantir recursos para um pacote tecnológico adequado e possibilitar geração de receita superior à observada nos últimos anos no Estado. O ritmo de desembolso dos financiamentos no início da safra, iniciada em 1º de julho, está abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior, mas permanece acima da média nacional. Os desembolsos de agosto foram superiores aos de julho, embora ainda abaixo da média histórica. O desempenho é atribuído ao ambiente impactado pelas renegociações, já que os produtores precisam simultaneamente planejar a nova safra, contratar recursos para custeio e equacionar o endividamento acumulado. As renegociações previstas na Medida Provisória (MP) 1.376/2026 ainda não alcançaram a escala esperada pelo Banrisul. A instituição foi a primeira a operar as linhas de alongamento de dívidas criadas pela medida e já possui volume expressivo de operações encaminhadas.
A dinâmica, contudo, difere da observada nos dois anos anteriores, quando as medidas foram anunciadas no último trimestre. Em 2026, o produtor precisa tratar simultaneamente da regularização das dívidas e da contratação do custeio da nova safra, o que tem retardado a demanda por recursos. Parte dos produtores ainda aguarda definições sobre eventual ampliação dos prazos e do enquadramento na MP 1.376/2026 ou sobre uma securitização mais ampla, o que também posterga a contratação dos novos custeios. O movimento não decorre de falta de demanda por crédito ou insumos, mas da expectativa de ampliação das possibilidades de renegociação. Esse ambiente também se refletiu no aumento do risco moral e no indicador recorde de inadimplência do produtor rural registrado em julho pelo Banco Central, de 8,8%. O Banrisul estima que 30% de sua carteira de crédito rural tenha potencial de enquadramento na renegociação prevista pela MP 1.376/2026, envolvendo operações de R$ 4,3 bilhões.
Para acelerar os pedidos, o banco criou um modelo próprio de laudo para comprovação de perdas, destinado a auxiliar produtores com potencial de enquadramento. A instituição possui mais de 5,5 mil pedidos na esteira de renegociação, totalizando mais de R$ 2,5 bilhões, volume superior à metade do total esperado. A inadimplência da carteira de crédito rural do Banrisul é estimada em cerca de 2%, abaixo dos 7,5% observados no mercado em geral com base nos dados de crédito do Banco Central. A instituição também avalia que o Rio Grande do Sul apresenta a menor inadimplência do País no crédito rural. O crédito rural representa 20% da carteira total do Banrisul, com mais de R$ 13 bilhões em financiamentos ao setor. No Rio Grande do Sul, a instituição é o terceiro maior financiador do agronegócio e mantém 60% da carteira de crédito rural direcionada a pequenos agricultores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.