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08/Sep/2026

G20: superávit chinês eleva pressão por reequilíbrio

A reunião preparatória para o encontro de líderes do G20, previsto para dezembro, em Miami (EUA), terminou com a China isolada entre os 20 integrantes do grupo. A conferência reuniu ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais e evidenciou a convergência dos demais países em torno da necessidade de combater desequilíbrios comerciais e externos, enquanto a China se opôs ao comunicado final. O G20 representa cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) global e, de forma geral, seus integrantes concordam com a necessidade de adotar iniciativas para eliminar políticas e práticas que ampliam desequilíbrios. O principal foco da discussão está nos países que mantêm superávits externos persistentes e excessivos, condição na qual a China se destaca. A China caminha para superar em 2026 o recorde registrado em 2025, quando alcançou superávit comercial de US$ 1,2 trilhão.

Há anos, a China amplia a oferta de produtos manufaturados no mercado internacional a custos inferiores aos praticados pelas indústrias de países desenvolvidos e emergentes. Europa e Brasil estão entre as regiões afetadas pelo avanço das importações chinesas, que abrangem desde produtos têxteis até veículos híbridos. A expansão das exportações chinesas representa um desafio para economias de diferentes regiões, ao mesmo tempo em que cresce a avaliação de que a China precisa elevar o consumo doméstico e reduzir a dependência do crescimento baseado na produção e nas exportações. A convergência do diagnóstico sobre o desequilíbrio, entretanto, não se estende à estratégia defendida pelos Estados Unidos. Durante a reunião preparatória, realizada em Asheville, na Carolina do Norte, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, defendeu que outros países adotem medidas semelhantes às dos norte-americanos e ampliem barreiras tarifárias contra produtos chineses.

A estratégia tarifária adotada pelo presidente Donald Trump, contudo, não produziu o retorno esperado das indústrias aos Estados Unidos e elevou os custos para os consumidores norte-americanos, contribuindo para o aumento da inflação. Além dos questionamentos sobre sua constitucionalidade, o modelo de tarifas utilizado pelo governo norte-americano apresenta limitações como instrumento para promover a reindustrialização doméstica. A política comercial dos Estados Unidos também apresenta diferenças em relação ao tratamento dado a seus parceiros. Enquanto o governo norte-americana impõe e retira tarifas de forma recorrente sobre países com os quais os Estados Unidos mantêm relação comercial superavitária, como o Brasil, mantém com a China uma trégua tarifária prevista, em princípio, até 10 de novembro. A possibilidade de extensão da trégua é considerada relevante diante do encontro previsto entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em meados de setembro.

Como segunda maior economia mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, a China dispõe de instrumentos econômicos e comerciais para reagir ao protecionismo norte-americano que não estão igualmente disponíveis para outras economias. O placar de 19 a 1 no comunicado do G20 evidencia, porém, que o desconforto com o modelo comercial chinês é generalizado. Para os Estados Unidos, uma estratégia mais eficaz passa pela recomposição das relações com parceiros comerciais históricos, como Canadá e Brasil, e pelo fortalecimento de ações coordenadas para enfrentar os efeitos das exportações chinesas sobre as economias globais. Nesse contexto, a ampliação da cooperação internacional e de medidas concretas tende a produzir resultados mais consistentes do que a adoção unilateral de tarifas e declarações de confronto. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.