08/Sep/2026
O movimento do Banco Central da Holanda, que transferiu recentemente cerca de US$ 12 bilhões em ouro depositados no Federal Reserve (Fed) de Nova York para Londres, seguindo decisão semelhante do Banco Central da França, que levou parte de suas reservas de ouro dos Estados Unidos para Paris, evidencia o aumento da desconfiança em relação ao governo norte-americano, na avaliação do economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia.
A expressão ‘Estado de direito’ deixou de ser associada de forma consistente ao governo de Donald Trump e destacou o que considera um desprezo especial pelas normas do direito internacional. Muitas das tarifas impostas pelo governo Trump foram consideradas ilegais pela legislação norte-americana, enquanto praticamente todas também violariam acordos internacionais previamente firmados por presidentes dos Estados Unidos, inclusive pelo próprio Trump. Nesse contexto, a possibilidade de o governo dos Estados Unidos criar uma justificativa para confiscar ouro estrangeiro mantido nos cofres do Federal Reserve de Nova York deixou de ser uma hipótese completamente improvável.
Esse risco estaria entre os fatores que explicam a decisão da Holanda e da França de transferir parte de suas reservas, movimento que poderá ser seguido por outros países. O impacto econômico ou financeiro direto dessas transferências tende a ser limitado. Não haveria necessidade de grandes remessas físicas de ouro entre os dois lados do Atlântico, uma vez que os bancos centrais estrangeiros poderiam vender o ouro mantido em Nova York a compradores privados nos Estados Unidos e recompor suas reservas por meio de aquisições de vendedores privados na Europa.
Entretanto, o principal efeito é simbólico e está relacionado à confiança internacional nos Estados Unidos. A percepção de que o governo norte-americano não oferece mais segurança quanto ao cumprimento de regras básicas, incluindo a proteção de ativos pertencentes a governos estrangeiros, representa uma deterioração relevante da confiança acumulada ao longo dos anos. A eventual saída do governo Trump não seria suficiente para reverter rapidamente esse processo. A reconstrução da confiança exigiria muitos anos de governos norte-americanos considerados honestos e responsáveis para recuperar a credibilidade perdida perante outros países. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.