04/Sep/2026
A comunidade global precisaria elevar para US$ 5 trilhões por ano os investimentos em descarbonização para enfrentar os desafios apresentados pelo relatório “Limiting Overshoot”, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O documento parte da premissa de que o limite de aquecimento global de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris será temporariamente ultrapassado e apresenta caminhos para limitar e posteriormente reverter esse excedente de temperatura. A estimativa de investimentos foi apresentada pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). A avaliação considera a necessidade de analisar a questão climática também sob a perspectiva econômica. Atualmente, os investimentos globais em descarbonização estão em torno de US$ 2 trilhões anuais, o que exigiria uma elevação rápida para alcançar o patamar necessário.
As necessidades de descarbonização já são conhecidas, mas os custos representam um dos principais desafios, especialmente porque as medidas precisam alcançar todos os países. Ao mesmo tempo, o custo da inação tende a ser significativamente maior. Caso não sejam adotadas medidas suficientes, os impactos econômicos podem alcançar cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) global para um aumento de temperatura entre 1,5°C e 1,7°C. Em um cenário de elevação de 3°C, o impacto estimado chegaria a 10% do PIB global. Segundo o Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS) da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o aumento da temperatura global já está em torno de 1,37°C e deve superar a marca de 1,5°C nos próximos dez anos. A avaliação do overshoot como praticamente inevitável ganhou maior destaque no novo relatório do Pnuma. Apesar disso, o Conselho do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) considera o excedente de temperatura como temporário e avalia que a reversão do aquecimento é possível.
A redução do overshoot, contudo, envolve desafios relevantes e dependerá da implementação simultânea de medidas de mitigação, adaptação e resiliência. O Instituto Clima e Sociedade também reforçou que a ultrapassagem temporária de 1,5°C não deve ser utilizada como justificativa para abandonar a meta estabelecida pelo Acordo de Paris. A redução de cada fração de grau e de cada ano de permanência acima do limite tende a ser relevante, assim como a ampliação imediata dos investimentos em mitigação, adaptação e resiliência. O cenário climático também envolve medidas que já estão em andamento, mesmo diante do agravamento da crise. Quanto maior for o pico de temperatura atingido, entretanto, mais difícil, incerta e cara tende a ser a reversão do aquecimento posteriormente, reforçando a necessidade de acelerar os investimentos e as ações de descarbonização. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.