04/Sep/2026
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) um conjunto de 163 medidas para apoiar a gestão de riscos climáticos na agropecuária. As recomendações consideram os possíveis impactos associados ao fenômeno El Niño na safra 2026/2027 e propõem ações permanentes de prevenção, adaptação e redução de riscos no campo. A nota técnica foi elaborada no âmbito do Grupo de Trabalho sobre El Niño, instituído pelo Mapa, com participação de especialistas da Embrapa e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Cerca de 50 profissionais da Embrapa contribuíram para a elaboração das recomendações. Embora o documento tenha sido motivado pelo El Niño 2026/27, a abordagem é mais ampla e considera que grande parte das ameaças, vulnerabilidades e medidas avaliadas também se aplica a outros eventos e condições climáticas recorrentes.
Das 163 medidas propostas, 14 são transversais a todo o setor agropecuário, 139 são específicas para diferentes segmentos produtivos e dez correspondem a ações viabilizadoras ou de apoio a programas de política pública. A nota técnica busca dimensionar os impactos associados ao El Niño e reunir referências técnicas para orientar ações de prevenção e redução de danos. O Grupo de Trabalho instituído pelo Mapa apresentará relatório com propostas e estratégias de adaptação e mitigação diante do El Niño. A nota técnica da Embrapa integra uma das frentes de trabalho do grupo. Durante sua atuação, o GT reuniu informações e contribuições da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Embrapa, do Inmet e de secretarias do Mapa. Entre as propostas do grupo está a implantação de um plano de comunicação coordenado entre as instituições. Paralelamente, o Mapa trabalha na elaboração de uma página especial, vídeos informativos e outros materiais destinados à divulgação de informações sobre riscos climáticos e medidas de prevenção e adaptação. As recomendações da Embrapa foram estruturadas a partir da identificação dos principais riscos e impactos sobre culturas e cadeias produtivas e consideram diferentes formas de tratamento dos riscos, incluindo prevenção, redução de impactos, transferência de riscos e aceitação do risco remanescente.
As 163 medidas também indicam o horizonte de implementação, classificado como imediato, curto, médio ou longo prazo, além das condições necessárias para sua adoção. Entre as medidas transversais estão o monitoramento de previsões meteorológicas e o uso de dados meteorológicos locais; a utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc); a diversificação espacial e temporal da produção; a adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); a elaboração de planos de contingência para eventos climáticos adversos; a manutenção da infraestrutura da propriedade rural; a avaliação econômica do nível de proteção para cada risco; o dimensionamento da capacidade operacional; o registro de eventos e impactos climáticos para avaliar as medidas adotadas; a criação de reservas financeiras; a utilização de seguro rural e outros mecanismos de transferência de risco; e a capacitação de equipes.
As recomendações específicas para as cadeias produtivas abrangem manejo do solo, escolha de cultivares, planejamento das operações, estruturas de proteção, drenagem e irrigação. O documento também reúne medidas de caráter institucional, financeiro, científico, tecnológico e de assistência técnica, cuja implementação depende da atuação de instituições públicas e de políticas voltadas à gestão de riscos climáticos. Entre as ações institucionais estão o fortalecimento e aperfeiçoamento do Zarc, a ampliação de mecanismos de financiamento para adaptação climática, o aperfeiçoamento de instrumentos de transferência de riscos, como o seguro rural, o fortalecimento da assistência técnica e da pesquisa, além do aprimoramento dos sistemas de monitoramento agrometeorológico e da gestão integrada de recursos hídricos. A nota técnica também aponta para a necessidade de consolidar uma política permanente de gestão de riscos agroclimáticos. A proposta envolve a transição de uma lógica predominantemente reativa de gestão de crises para uma abordagem permanente de antecipação, preparação, adaptação, monitoramento e aprendizagem.
Na prática, essa estratégia busca ampliar a capacidade de antecipar, monitorar e responder a diferentes eventos climáticos, incluindo secas, excesso de precipitação, ondas de calor, geadas, tempestades e incêndios. A gestão permanente dos riscos amplia o alcance das medidas para além dos impactos específicos associados ao El Niño. A nota técnica apresenta o histórico dos efeitos relacionados ao El Niño no Brasil e as projeções para 2026, mas ressalta que essas informações não determinam antecipadamente os impactos sobre cada região, cultura ou sistema produtivo. Entre os cenários considerados está uma maior probabilidade de precipitação abaixo da média em áreas do Centro-Norte do País e acima da média na Região Sul. Os principais riscos avaliados incluem atraso ou irregularidade no início da estação chuvosa, chuvas abaixo da média e déficit hídrico prolongado, temperaturas elevadas, chuvas acima da média e tempestades convectivas severas. Os impactos e as respectivas medidas de gestão são detalhados para diferentes cadeias produtivas, incluindo grãos e fibras, fruticultura, silvicultura, olericultura, pastagens e pecuária, culturas industriais e aquicultura. Fonte: Ministério da Agricultura. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.