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04/Sep/2026

Bradesco vê sinais de recuperação do Agronegócio

O Bradesco avalia que o agronegócio brasileiro começa a apresentar sinais de recuperação após um período marcado por endividamento recorde, juros elevados, preços baixos de commodities e efeitos climáticos adversos em diferentes regiões. Para o banco, o cenário indica melhora gradual das condições financeiras do setor, embora a recuperação deva ocorrer de forma distinta entre as regiões e cadeias produtivas. No Rio Grande do Sul, que enfrentou nos últimos cinco anos uma sequência de eventos climáticos severos, incluindo períodos de seca e enchentes, os indicadores começam a apontar para uma melhora das condições produtivas e financeiras. Em âmbito nacional, a avaliação também é positiva, com destaque para a expansão da agroindústria, incluindo a produção de etanol de milho, que contribui para o equilíbrio do setor.

A produção de soja no Rio Grande do Sul é um dos exemplos de melhora. Após atingir o piso de 14 milhões de toneladas, o Estado produziu 19 milhões de toneladas na temporada passada e poderá alcançar 22 milhões de toneladas na próxima safra. Os preços também apresentam recuperação, passando de cerca de R$ 90,00 por saca de 60 Kg para aproximadamente R$ 160,00 por saca de 60 Kg atualmente. Embora ainda estejam abaixo do teto de R$ 200,00 por saca de 60 Kg, o nível atual, combinado à perspectiva de aumento da produção, melhora o cenário macroeconômico para o agronegócio do Estado. Após cinco safras afetadas por intempéries climáticas, contudo, a recuperação do agronegócio do Rio Grande do Sul deverá exigir mais de uma temporada favorável. A recomposição financeira de empresas e produtores tende a ser gradual, exigindo continuidade de resultados positivos e condições adequadas de crédito.

Nesse contexto, o setor financeiro tem papel relevante na reestruturação das condições financeiras dos produtores e empresas, de forma a preservar a capacidade de investimento nas atividades. Para a safra 2026/27, iniciada em 1º de julho, o Bradesco prevê destinar cerca de R$ 50 bilhões em financiamentos ao agronegócio, volume em linha com os desembolsos realizados na temporada anterior. A estratégia contempla a manutenção do volume de crédito, com maior atenção à qualidade das concessões e das análises de risco. Os juros elevados contribuíram para o aumento da inadimplência no agronegócio e pressionaram a renda dos produtores e das empresas. A perspectiva de redução gradual da taxa básica de juros, após o corte realizado na reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), e os sinais indicados na ata de possibilidade de novas reduções, são considerados fatores potencialmente favoráveis à recuperação financeira do setor.

No âmbito nacional, também há sinais de redução no número de recuperações judiciais no agronegócio. O movimento atingiu um pico há cerca de dois anos, especialmente com concentração no Centro-Oeste, acompanhado pela formação de uma estrutura especializada nesse tipo de processo. A percepção atual é de desaceleração dessa onda, após o aumento da utilização do mecanismo nos últimos anos. A recuperação judicial é considerada um instrumento importante para a reestruturação financeira de empresas e produtores em dificuldades, mas sua utilização teria ocorrido, em parte dos casos, de maneira inadequada ou sem orientação suficiente. A redução observada atualmente nos processos indica possível normalização desse movimento e melhora gradual das condições financeiras do agronegócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.