04/Sep/2026
O Sicredi espera aceleração na contratação de financiamentos para a safra 2026/27 a partir de setembro. Em julho, primeiro mês da temporada e dado mais recente disponível, a instituição liberou R$ 5,6 bilhões em 27,2 mil operações de crédito rural no âmbito do Plano Safra 2026/27, alta de 6% ante igual período da temporada anterior. O ritmo de contratação é maior em nível nacional, mas permanece mais lento em algumas regiões devido à espera dos produtores pela operacionalização da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, que trata da renegociação de dívidas rurais. A reestruturação dos passivos tem sido considerada necessária por parte dos produtores antes da contratação de operações de custeio e investimentos para a nova safra. Até o momento, o ritmo das operações está mais forte em áreas do Paraná e de Mato Grosso e menos acelerado no Rio Grande do Sul e no oeste do Paraná.
Essas regiões apresentam maior impacto do enquadramento na MP 1.376/2026 em razão dos choques climáticos. Com o avanço das renegociações, a tendência é de crescimento também das operações de custeio nessas áreas. O Sicredi projeta alta de 4% nos desembolsos em 2026/27 ante a temporada anterior, resultado superior ao ciclo passado, mas abaixo das médias históricas de crescimento de dois dígitos. O Sicredi disponibilizou R$ 72,1 bilhões para financiamentos no ciclo 2026/27, aumento de 4,4% ante os R$ 69 bilhões concedidos na temporada anterior. A expectativa é contratar 340 mil operações. A maior demanda dos produtores está concentrada em operações de custeio, enquanto os investimentos apresentam ritmo mais moderado, em um cenário de maior cautela para a aquisição de máquinas e outros bens de capital.
Dos R$ 5,6 bilhões desembolsados no primeiro mês da safra, R$ 2,6 bilhões corresponderam a operações de custeio. Os juros elevados também contribuem para reduzir a demanda por novos investimentos. Produtores endividados ou que precisam ajustar o fluxo financeiro estão adotando postura mais conservadora e postergando novos investimentos. O cenário financeiro dos produtores pode ser dividido em três grupos principais. O primeiro reúne produtores adimplentes, mas alavancados, com renegociações anteriores em andamento e necessidade de novo crédito para financiar a safra. O segundo é formado por produtores inadimplentes que aguardam a reabilitação para voltar a contratar operações. O terceiro inclui produtores que devem utilizar capital próprio para financiar a temporada, com maior disponibilidade financeira proporcionada pelas renegociações em andamento.
No âmbito da MP 1.376/2026, o Sicredi espera renegociar cerca de R$ 10 bilhões em dívidas de pequenos, médios e grandes produtores, considerando recursos livres e controlados. As operações começaram há cerca de três semanas e, até o fim da semana anterior, haviam alcançado aproximadamente R$ 1 bilhão. A expectativa é de aceleração das renegociações ao longo de setembro. Parte dos recursos será proveniente de captação própria do banco cooperativo e parte de linhas equalizadas pelo Tesouro. Apesar do avanço das renegociações, o risco moral, conceito utilizado pelas instituições financeiras para caracterizar mudanças no comportamento dos produtores em relação ao pagamento das operações, diminuiu, mas continua presente. O fluxo financeiro dos produtores permanece pressionado pela necessidade de financiar a próxima safra com insumos mais caros e pela expectativa de preços estáveis.
A existência de programas de renegociação e anúncios de reestruturação também leva parte dos produtores a postergar decisões de pagamento e contratação de crédito. Uma parcela relevante das operações não foi contemplada pela MP 1.376/2026, enquanto parte dos produtores ainda aguarda a definição sobre o enquadramento de determinadas parcelas. Esse cenário contribuiu para o aumento da inadimplência do crédito rural, que atingiu recorde de 8,8% em julho, segundo o Banco Central. O calendário agrícola também influenciou o movimento, devido ao volume expressivo de parcelas com vencimentos concentrados em junho, julho e agosto. O aumento da inadimplência ocorreu em um período no qual a MP ainda não estava operacionalizada. Com o início efetivo das renegociações, a expectativa é de que os produtores possam reestruturar passivos e retomar o financiamento da próxima safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.