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02/Sep/2026

PIB Agropecuário: revisada estimativa para 2026

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reduziu, de forma preliminar, sua projeção de crescimento do PIB da agropecuária em 2026, de 2,8% para 2,6%, mesmo após o desempenho do setor superar as expectativas no segundo trimestre. A entidade prevê desaceleração da atividade no segundo semestre, com menor contribuição das lavouras e possibilidade de arrefecimento da pecuária. Ainda assim, a expectativa é de resultado positivo para o agronegócio no ano. A agropecuária cresceu 2,8% no segundo trimestre ante o primeiro, na série com ajuste sazonal, acima da projeção de 1,8% da CNA. A revisão da estimativa anual reflete principalmente a perspectiva de desempenho mais fraco de algumas culturas, especialmente laranja e trigo. A produção das culturas de inverno tende a exercer pressão negativa sobre a média do setor no segundo semestre, com possibilidade de retração do trigo superior à anteriormente projetada.

A CNA estima que a participação da agropecuária no PIB brasileiro alcance 7,8% em 2026, acima dos 7,54% registrados em 2025. A projeção anterior da entidade indicava participação entre 7,1% e 7,2% neste ano. A contribuição do setor para a economia brasileira permanece relevante apesar da expectativa de desaceleração. No primeiro semestre, a agropecuária acumulou crescimento de 3,6% ante igual período de 2025, enquanto o PIB brasileiro avançou 1,9%. No segundo trimestre, a economia cresceu 0,5% ante o primeiro trimestre, com expansão de 2,8% da agropecuária, de 0,1% da indústria e de 0,2% dos serviços. Agropecuária e indústria extrativa figuram entre os segmentos que sustentam o crescimento da economia. Sem a contribuição desses dois setores, o PIB brasileiro teria recuado 0,1% no segundo trimestre, em vez de registrar alta de 0,5%. Em contrapartida, indústria de transformação, comércio e serviços permanecem mais sensíveis ao ambiente de restrição monetária.

No segundo semestre, a menor contribuição das principais lavouras de grãos deve ser um dos principais fatores de desaceleração da agropecuária. O setor apresenta comportamento sazonal e, após a maior contribuição da safra de verão no primeiro semestre, tende a perder ritmo no terceiro trimestre. A pecuária, que apresentou desempenho superior ao esperado no segundo trimestre, também pode desacelerar nos próximos meses. O período registrou crescimento dos abates de bovinos, suínos e frangos, além de aumento da captação de leite. Para o segundo semestre, entretanto, o ambiente externo apresenta incertezas relacionadas ao fim da cota de exportação para a China, ao embargo europeu e à abertura do mercado norte-americano para cotas de importação. Apesar dessas incertezas, não há, no momento, um fator identificado pela CNA capaz de provocar uma ruptura no desempenho da pecuária. O principal risco é de desaceleração do consumo e, consequentemente, do crescimento da produção de proteínas caso o ritmo da demanda internacional diminua.

No cenário climático, os efeitos do El Niño devem ser mais relevantes sobre a 2ª safra de 2027. Para o fim de 2026 e o início da safra de verão (1ª safra 2026/2027), a entidade não identifica, por enquanto, problemas relevantes para trigo, soja e milho. O fenômeno climático já começa, contudo, a influenciar as decisões de plantio para a 2ª safra de 2027. Produtores avaliam substituir parte do milho safrinha por sorgo, cultura menos exigente em nutrientes e mais tolerante a condições climáticas adversas. A demanda por sorgo também apresenta aquecimento, principalmente para alimentação animal e, ainda de forma incipiente e regionalizada, para a produção de etanol. Nesse cenário, é possível uma leve retração da produção de milho na 2ª safra de 2027, acompanhada de aumento da produção de sorgo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.