ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

02/Sep/2026

PIB Agropecuário cresceu no 2º trimestre de 2026

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário avançou 2,8% no segundo trimestre de 2026 em relação ao primeiro trimestre, mantendo o setor como um dos principais vetores da atividade econômica brasileira. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o crescimento foi de 6,8%. O setor movimentou R$ 204,6 bilhões no período. A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) avalia que o desempenho confirma a importância do agronegócio para a economia do País, mas alerta que a manutenção de resultados positivos depende da redução dos juros elevados e do enfrentamento do endividamento dos produtores e das empresas do setor. O nível de endividamento do agronegócio é considerado preocupante, em um cenário que inclui número recorde de pedidos de recuperação judicial. A combinação entre elevado custo financeiro e dificuldades de capacidade de pagamento aumenta as restrições à continuidade dos investimentos e pode limitar o desempenho do setor nos próximos períodos.

A evolução do PIB agropecuário no segundo trimestre, portanto, reforça a contribuição do setor para o crescimento econômico, mas ocorre em um ambiente financeiro mais restritivo. A solução para o custo elevado do crédito e para o endividamento é apontada como condição para sustentar a expansão da atividade agropecuária e preservar sua contribuição para a economia brasileira. O PIB da agropecuária cresceu 6,8% no segundo trimestre de 2026 ante o mesmo período de 2025, resultado acima das expectativas e sustentado principalmente pelo desempenho das lavouras e pelo aumento dos abates de animais. Na comparação com o primeiro trimestre, na série com ajuste sazonal, o setor avançou 2,8%, enquanto o PIB brasileiro teve alta de 2,0% na comparação anual. O desempenho agrícola foi liderado pela soja, principal produto da agricultura brasileira, com contribuições adicionais de milho e cana-de-açúcar, cuja safra já havia iniciado no Centro-Sul.

Na pecuária, o aumento dos abates de bovinos, frangos e suínos em relação ao segundo trimestre de 2025 também contribuiu para o resultado positivo da agropecuária. Para o segundo semestre, porém, a perspectiva é de desaceleração, diante de perdas esperadas em algumas culturas e da tendência de redução dos abates bovinos. Entre os fatores positivos, destacam-se café e algodão, este favorecido pela base de comparação mais fraca de 2025, além da continuidade da produção de cana-de-açúcar. Em contrapartida, a 2ª safra de milho de 2026 já indica pequena queda na produção. Arroz e trigo também devem registrar retração, com destaque para o trigo, cuja redução é considerada significativa e está relacionada principalmente à menor área cultivada. Na pecuária bovina, a expectativa é de perda de ritmo nos próximos meses. A redução dos abates está associada ao menor ritmo das exportações para a China e ao menor alojamento de animais em confinamento.

A tendência é de continuidade desse movimento no curto prazo, com alguma recuperação esperada em 2027, mas sem retomada expressiva da atividade nos próximos meses. Para 2026, a estimativa é de que o abate de bovinos fique um pouco abaixo do registrado em 2025. Os impactos climáticos do El Niño sobre as próximas safras deverão aparecer principalmente nos resultados de 2027, de modo que os efeitos sobre o PIB agropecuário deste ano ainda tendem a ser restritos. O avanço de 2,8% do PIB da Agropecuária no segundo trimestre de 2026, em relação ao trimestre anterior, deve garantir crescimento do setor no acumulado do ano, mesmo diante da expectativa de desempenho menos favorável na segunda metade de 2026. A maior parcela da geração de valor do setor está concentrada no primeiro semestre, especialmente no primeiro trimestre, quando ocorre a colheita da safra de verão (1ª safra), seguida pelo segundo trimestre. O segundo semestre concentra principalmente a colheita da 2ª safra e das culturas de inverno, além das atividades de plantio, que não são incorporadas diretamente ao cálculo do PIB da Agropecuária.

Dessa forma, mesmo com resultados potencialmente mais fracos no terceiro e no quarto trimestres, a contribuição acumulada dos primeiros seis meses deve assegurar resultado positivo para o setor em 2026. A alta de 2,8% registrada no segundo trimestre foi favorecida pela colheita da soja, pela recuperação da produção de café e pelo aumento do volume de abates na pecuária. Na cafeicultura, a oferta apresentou recuperação em direção à normalidade após duas safras com base de comparação reduzida, influenciadas pela bienalidade da cultura e por uma quebra de produção ocorrida dois anos antes. Na pecuária de corte, o desempenho foi impulsionado pelo aumento dos abates associado à antecipação das exportações de carne bovina para a China antes do atingimento da cota. Esse ritmo de abates, entretanto, tende a não se repetir no mesmo nível durante o segundo semestre, o que deve reduzir a contribuição da atividade para o PIB Agro na segunda metade do ano. Na suinocultura, o trimestre foi marcado por excesso de oferta e queda dos preços recebidos pelos produtores e praticados ao consumidor, apesar do aumento das exportações.

O cenário indica necessidade de ajuste no segmento ao longo do segundo semestre de 2026 ou em 2027, diante da combinação entre maior disponibilidade de animais, pressão sobre os preços e expansão das vendas externas. O desempenho do agronegócio brasileiro tende a perder força no segundo semestre de 2026, após contribuição relevante para o PIB no primeiro semestre. A projeção da Volt Partners indica crescimento de 4% a 4,5% para o PIB da agropecuária em 2026, enquanto a economia brasileira deve avançar cerca de 1,5%. A pecuária deve exercer papel importante para evitar uma desaceleração mais acentuada do setor até o fim do ano. Apesar das restrições enfrentadas pelo Brasil em alguns mercados, as exportações de carnes permanecem com desempenho positivo e devem contribuir para compensar parcialmente a perda de dinamismo de outras atividades agrícolas no segundo semestre. O cenário geral é de um ano razoável para o agronegócio, mas sem desempenho excepcional para a economia brasileira.

No segundo trimestre, a agropecuária cresceu 6,8% em relação ao mesmo período de 2025, acima da expansão de 2,0% do PIB brasileiro. O resultado foi sustentado principalmente pela soja, além do desempenho positivo da pecuária e da produção de café. No primeiro semestre, o setor acumulou crescimento de 3,6%. A soja foi o principal destaque, tanto pelo aumento do volume produzido quanto pela expansão da receita agrícola. A combinação de maior produção e geração de receita pela oleaginosa produziu efeitos além da agropecuária, com recursos direcionados também para os setores industrial e de serviços. O crescimento do PIB da agropecuária, entretanto, não deve ser interpretado exclusivamente a partir da evolução do volume produzido. O cálculo do PIB agropecuário realizado pelo IBGE não capta integralmente a evolução da renda agrícola, o que limita uma avaliação mais precisa do desempenho econômico efetivo do setor. No caso da soja, o resultado estava dentro das expectativas, diante da previsão de aumento da produção e de melhora da receita agrícola.

No café, entretanto, há uma diferença entre a evolução do volume e a geração de receita. Embora a produção tenha apresentado desempenho mais favorável, a receita da atividade permanece estável ou apresenta viés de baixa. Para os próximos meses, o cenário tende a ser menos favorável ao agronegócio, principalmente pela ausência do impulso proporcionado pela soja, cuja produção e exportações estão concentradas no primeiro semestre. Açúcar e café também devem enfrentar preços menos favoráveis em relação ao ano anterior. A cana-de-açúcar apresenta desempenho enfraquecido, enquanto os preços internacionais do açúcar permanecem pressionados. No café, a expectativa é de preços relativamente deprimidos no segundo semestre. Para 2027, entretanto, surgem perspectivas mais favoráveis. Os preços internacionais de soja, milho e algodão começam a apresentar recuperação, movimento que pode melhorar a receita agrícola, estimular o plantio de soja e milho e contribuir para reduzir a inadimplência entre produtores de grãos. A melhora ainda permanece no campo das expectativas, mas pode representar um fator de sustentação para a renda e a atividade do agronegócio no próximo ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.