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02/Sep/2026

Brasil: criminalidade afeta orçamento e consumo

A criminalidade passou a afetar diretamente o orçamento das famílias, as decisões de trabalho e o consumo no Brasil. Pesquisa encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que 84% dos brasileiros afirmam que a criminalidade interferiu no orçamento familiar no último ano. Entre os entrevistados, 60% apontam que atividades profissionais encontram dificuldades pela presença de facções, milícias ou crime organizado, incluindo perda de clientes ou de negócios. O impacto também aparece no mercado de trabalho. Cerca de 25% das pessoas já deixaram de aceitar uma oportunidade profissional por medo da violência. No consumo, 51% da população já deixou de comprar algum produto ou serviço por receio de cair em golpes relacionados ao mercado ilegal. O levantamento Percepção Nacional de Segurança Pública ouviu 2.411 pessoas em 658 municípios distribuídos pelas 27 Unidades da Federação.

A insegurança também provoca realocação de recursos dentro do orçamento doméstico. Um em cada três entrevistados precisou utilizar recursos originalmente destinados à alimentação e aos estudos para gastos relacionados à segurança, incluindo despesas com transporte por aplicativo. O levantamento aponta ainda que 38% dos entrevistados deixaram de utilizar algum bem por medo e 24% deixaram de frequentar estabelecimentos comerciais, restaurantes ou espaços de lazer por receio de serem vítimas de crimes. Em relação às medidas consideradas necessárias para reduzir a criminalidade, 34% dos entrevistados apontam a necessidade de ampliar investimentos em emprego, cultura e educação. Outros 28% defendem o cumprimento efetivo das penas já aplicadas, enquanto 15% consideram prioritários os investimentos em investigação.

Para 25% dos entrevistados, a prisão deve ser utilizada para punir pessoas pelos crimes cometidos. Ao mesmo tempo, 40% avaliam que o sistema prisional não cumpre os objetivos a que se propõe, incluindo o reforço do respeito às leis e a preparação dos detentos para a reinserção na sociedade. Entre as empresas, a criminalidade também representa um custo relevante para a atividade produtiva e para a competitividade. Outro levantamento quantitativo realizado pela Fiesp, com 285 empresas da indústria de transformação do estado de São Paulo, mostra que quatro em cada dez empresas foram vítimas de algum crime no último ano, enquanto quase metade registrou ocorrências nos últimos três anos. Os crimes virtuais dobraram desde 2023 e passaram a ser o principal tipo de delito contra as fábricas, atingindo quase uma em cada cinco indústrias.

Além disso, uma em cada quatro empresas deixou de investir ou expandir seus negócios em razão da violência, evidenciando o impacto da criminalidade sobre as decisões de investimento e o crescimento do setor produtivo. Os gastos adicionais com proteção também são generalizados. 98% das indústrias se veem obrigadas a pagar por segurança privada, seguros e sistemas de monitoramento. Entre as empresas vítimas de crimes, quase uma em cada cinco registrou perdas superiores a 1% do faturamento anual. Para 70% das indústrias, o custo da criminalidade prejudica a competitividade do Brasil no mercado global. A pesquisa, elaborada com entrevistas presenciais com 389 pessoas privadas de liberdade em unidades do estado de São Paulo, também analisou os fatores associados à prática criminosa. Apenas 6,2% dos entrevistados afirmaram ter cometido crimes com retorno financeiro por necessidade real. Ambição e status aparecem como fatores de maior peso. Quase sete em cada dez entrevistados relataram ainda a presença de regras do crime no bairro onde vivem. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.