ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

02/Sep/2026

Irã: autoridades dão sinais contraditórios sobre guerra

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira (1º/09) que está pronto para retomar o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos caso o governo norte-americano também volte a cumprir os compromissos firmados em junho. O memorando de junho previa cessar-fogo imediato e um período de 60 dias de negociações para um acordo mais amplo. O Irã havia concordado em retirar minas do Estreito de Ormuz e permitir a passagem de navios, enquanto os Estados Unidos se comprometeram a encerrar o bloqueio naval, suspender sanções, conceder autorizações para exportações iranianas de petróleo e iniciar discussões sobre um pacote de reconstrução. O acordo, porém, desmoronou rapidamente. No fim de semana passado, os Estados Unidos atacaram lançadores de mísseis iranianos na ilha de Larak, em Ormuz, e o Irã respondeu com disparos contra instalações militares norte-americanas na Jordânia, que foram interceptados.

Pezeshkian defende há meses uma saída negociada, mas a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) pressiona por concessões adicionais, entre elas controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz e compensações financeiras pela guerra, condições consideradas pouco aceitáveis pelos Estados Unidos. Em meio à tensão, a Organização de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou sobre dois incidentes com petroleiros na segunda-feira (31/08). Um navio foi atingido por três projéteis ao deixar o Golfo Pérsico, sem registro de vítimas ou impacto ambiental. Outro petroleiro teria sido abordado por forças militares perto da costa de Omã e permaneceu à deriva. Não houve reivindicação imediata de autoria. Já o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país "definitivamente responderá militarmente" caso os Estados Unidos intensifiquem o que chamou de "cerco" contra Teerã.

A declaração foi feita em um vídeo transmitido pela agência iraniana Fars, no qual o parlamentar associa a pressão norte-americana a uma estratégia mais ampla de guerra econômica, psicológica e militar. Sem citar diretamente Washington em alguns trechos, Ghalibaf recorreu ao termo "inimigo" para se referir aos Estados Unidos e disse que, se a intenção norte-americana for impedir o Irã de exportar petróleo pelo Golfo Pérsico, "ninguém" conseguirá exportar. Para ele, parte relevante das novas sanções anunciadas contra o país apenas reedita restrições já aplicadas anteriormente. Ele também elevou o tom ao comentar o Estreito de Ormuz, ponto-chave para o fluxo global de energia. Ghalibaf declarou que a capacidade militar iraniana na área foi mantida e ampliada e que o "controle total" do Estreito estaria "nas mãos" das Forças Armadas do Irã, que se "renovaram" e "fortaleceram" nos últimos meses. Ele argumenta ainda que um bloqueio naval dos Estados Unidos configura "ação militar" segundo o direito internacional, ao mesmo tempo em que sustenta que a gestão iraniana do Estreito de Ormuz não contraria normas internacionais.

Ghalibaf citou o memorando de entendimento, assinado em Islamabad no fim de junho, e disse que o Estreito de Ormuz "não abrirá" até que os compromissos dos Estados Unidos previstos no documento sejam implementados. Segundo ele, durante a vigência do entendimento o Irã teria exportado mais de 80 milhões de barris de petróleo e avançado na importação de bens básicos. O parlamentar comparou o fluxo atual de navegação na rota marítima ao que era antes da guerra. "Antes, pelo menos 120 navios passavam diariamente, e ainda que um ou dois atravessem o Estreito hoje, não se compara ao nível anterior à guerra", alegou ao classificar como "mentiras" declarações de autoridades norte-americanas sobre a rota estar aberta. "Se os Estados Unidos controlassem o Estreito, por que precisariam repetir isso todo dia e atacar nossas ilhas?" No plano interno, Ghalibaf pressionou por unidade política e pediu que autoridades evitem declarações que possam aprofundar divisões ou "ir contra interesses nacionais".

De acordo com ele, o objetivo do "inimigo" em uma guerra híbrida seria fomentar instabilidade doméstica combinada com ações de terror e ataques militares pontuais. Na pauta econômica, o chefe do Legislativo procurou deslocar parte da pressão social sobre o consumo e o preço de combustíveis. Ele disse que a população não deve ser responsabilizada pelo alto consumo de gasolina e atribuiu o problema principalmente a falhas estruturais e à indústria petrolífera, defendendo reformas e medidas de eficiência para reduzir custos sem ampliar o peso sobre as famílias. Ghalibaf ainda declarou que governo e Parlamento estariam determinados a elevar o gasto com alimentação, "especialmente para os segmentos mais fracos", e que a medida seria implementada "na primeira oportunidade". No fechamento do apelo doméstico, pediu que a sociedade "não jogue no campo do inimigo".

A disparada da inflação no Irã e as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país têm sido utilizada nas últimas semanas pelo governo Donald Trump para justificar a nova frente de guerra concentrada em sanções. Ainda, dois petroleiros foram atingidos por “projéteis de origem desconhecida” enquanto cruzavam o Estreito de Ormuz, informou nesta terça-feira (1º/09), a consultoria grega de segurança marítima Marisks. Anteriormente, a agência britânica UKMTO havia relatado que um petroleiro havia sido atingido por três “projéteis desconhecidos” ao concluir sua passagem pelo Estreito de Ormuz. “Não houve relatos de vítimas ou impactos ambientais”, afirmou a agência sobre o incidente, que ocorreu 31 quilômetros a leste da cidade de Khasab, em Omã. A Marisks disse que, no total, “dois petroleiros que transportavam petróleo foram atingidos por projéteis de origem desconhecida em um intervalo de poucos minutos”. Os navios eram de bandeiras liberiana e saudita. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.