ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

31/Aug/2026

Dólar sobe com possível elevação de juros nos EUA

O dólar apresentou alta firme frente ao Real na sexta-feira (28/08), acompanhando a valorização da moeda norte-americana no exterior após declarações de tom mais restritivo do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, que elevaram as apostas de aumento da taxa básica de juros dos Estados Unidos em setembro. O Real apresentou desempenho melhor que o de pares como o peso colombiano e o rand sul-africano, apesar de historicamente sofrer maior pressão em sessões negativas para ativos de risco. Os ajustes típicos de fim de mês, incluindo remessas ao exterior e rolagem de contratos futuros, já teriam sido realizados em grande parte, reduzindo a pressão adicional sobre o câmbio. A venda de US$ 1 bilhão pelo Banco Central no mercado à vista, conjugada com oferta de swaps cambiais reversos no mesmo valor, contribuiu para ampliar a liquidez. O real também já acumula perdas superiores às de moedas pares em agosto.

Após uma queda pontual e limitada na abertura, o dólar permaneceu em alta durante praticamente toda a sessão. O movimento de aproximação de R$ 5,20 ganhou força após o discurso de Warsh no Simpósio de Jackson Hole, levando a moeda à máxima de R$ 5,23. Com a redução da pressão compradora nas últimas horas, o dólar encerrou em alta de 0,67%, a R$ 5,19. Na semana passada, a valorização acumulada chegou a 1,00%. Em agosto, a moeda norte-americana sobe 2,49% frente ao Real, após recuar 1,79% em julho. Para o Commerzbank, o discurso de Warsh reforçou a possibilidade de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos. O presidente do Fed indicou que ainda haverá necessidade de atuação caso não surjam sinais claros de que a inflação esteja convergindo rapidamente para a meta de 2%. A manifestação sinaliza maior abertura para uma elevação dos juros, embora ainda permaneçam dúvidas sobre o grau de comprometimento com uma postura mais firme.

A taxa do Treasury de 2 anos, considerada referência para as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve, avançou mais de 10 pontos-base, atingindo máxima de 4,35%. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava aproximadamente 55% de probabilidade de elevação dos juros pelo Fed no mês seguinte. O índice DXY, que acompanha o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,50%, aos 99,657 pontos, após atingir máxima de 99,726 pontos. Na semana passada, o Dollar Index acumulou alta próxima de 0,90%, embora ainda registre leve queda em agosto. O Citi passou a considerar os riscos associados a uma eventual elevação dos juros nos Estados Unidos e realizou lucros em posições favoráveis ao euro. O banco também alterou o financiamento de posições de carry trade em mercados emergentes, substituindo o dólar por outras moedas do grupo G10, que inclui euro, iene e libra, sem especificar uma divisa individual. A avaliação é de que uma alta dos juros pelo Fed ainda não é considerada necessária, mas a postura adotada pelo banco central norte-americano foi interpretada como hawkish e passou a ser o principal fator de referência para as estratégias cambiais.

No mercado doméstico, os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho mostraram geração de vagas abaixo das expectativas e reforçaram a percepção de moderação do mercado de trabalho. O cenário contribui para ampliar a expectativa de espaço para novos cortes da taxa Selic. A aposta predominante permanece em uma redução de 0,25%, levando a taxa básica para 13,75%. A perspectiva de redução limitada do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tende a restringir uma depreciação mais acentuada do Real. A moeda brasileira deve apresentar desvalorização limitada mesmo durante o período eleitoral, enquanto a Selic poderá recuar para pelo menos 13,50% até o fim do ano. A atuação do Banco Central por meio de vendas de dólares também oferece maior capacidade para administrar episódios de volatilidade e situações pontuais de baixa liquidez. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.