ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

31/Aug/2026

Clima: mudanças climáticas potencializam El Niño

Estudo publicado na revista Science indica que a mudança climática causada pela atividade humana pode estar tornando os eventos de El Niño mais intensos, em um momento em que um El Niño forte já está formado e apresenta perspectiva de ganhar ainda mais força nos próximos meses. O El Niño corresponde ao aquecimento temporário de áreas do Pacífico equatorial e pode alterar os padrões climáticos em diversas regiões do planeta. O fenômeno tende a elevar a temperatura média global e aumentar a probabilidade de eventos extremos, como ondas de calor mais persistentes, chuvas torrenciais, enchentes e secas severas. Os impactos podem atingir diretamente a agricultura, a disponibilidade de água, o setor de energia e a saúde.

De acordo com a pesquisa, os eventos atuais de El Niño seriam, em média, mais de 36% mais fortes do que no período pré-industrial. Nos últimos 40 anos, a intensidade teria aumentado 16%, sinalizando uma possível aceleração. A paleoclimatóloga Julia Cole, da Universidade de Michigan, autora principal do estudo, relaciona a evolução da intensidade do fenômeno à elevação da temperatura global, associada principalmente à queima de combustíveis fósseis. Para superar a limitação dos registros instrumentais detalhados do oceano, que não abrangem períodos de muitos séculos, a equipe utilizou fósseis de corais das Ilhas Galápagos como registros naturais das condições climáticas do passado. A composição química e isotópica dos esqueletos desses corais permite estimar a temperatura da superfície do mar, enquanto técnicas de datação possibilitam determinar a posição temporal de cada amostra.

O conjunto analisado abrange aproximadamente 900 anos. A conclusão do estudo, contudo, ainda não é consensual. Pesquisadores externos reconhecem o avanço metodológico e a robustez do uso de registros de corais, enquanto outros avaliam que parte do sinal identificado pode refletir o aquecimento generalizado dos oceanos, e não necessariamente uma alteração na variabilidade do El Niño. Apesar das divergências sobre a interpretação dos dados, permanece o consenso de que o aquecimento dos oceanos amplia os riscos climáticos. Nesse contexto, a redução das emissões de gases de efeito estufa permanece como a principal resposta para limitar o avanço da mudança climática e seus impactos sobre a intensidade dos eventos extremos e dos fenômenos climáticos globais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.