28/Aug/2026
O dólar encerrou o pregão desta quinta-feira (27/08) em leve alta frente ao Real, acompanhando a valorização da moeda norte-americana ante divisas emergentes, especialmente latino-americanas. Após oscilar próximo da estabilidade nas primeiras horas, a moeda ganhou, em um ambiente de cautela antes do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole, que pode alterar as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. O dólar registrou máxima de R$ 5,17 e terminou o dia em alta de 0,20%, a R$ 5,16. Com o resultado, acumula valorização de 0,33% na semana e de 1,81% em agosto, após recuo de 1,79% em julho. No acumulado do ano, a moeda registra queda de 5,96%.
O ambiente externo foi marcado por maior cautela diante das incertezas sobre a trajetória dos juros norte-americanos. A persistência da inflação nos Estados Unidos e a postura da nova liderança do Federal Reserve aumentam as dúvidas sobre a política monetária e pressionam as moedas de países emergentes, enquanto as atenções se concentram no Simpósio de Jackson Hole. As taxas dos Treasuries avançaram em meio à alta do petróleo, que interrompeu uma sequência de três pregões de queda. O mercado acompanha o impasse nas negociações para a reabertura total do Estreito de Ormuz e o recrudescimento do conflito entre Rússia e Ucrânia.
O contrato do Brent para novembro fechou em alta de 1,82%, a US$ 88,52 por barril. O índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, oscilou próximo da estabilidade, em torno de 99,150 pontos. No mercado doméstico, embora o Real ainda encontre suporte no curto prazo no diferencial elevado de juros e na entrada de recursos pelo comércio exterior, existe risco de enfraquecimento caso os juros nos Estados Unidos subam ao mesmo tempo em que a Selic seja reduzida no Brasil. Nesse cenário, o diferencial de juros poderia diminuir pelos dois lados, reduzindo uma das principais proteções da moeda brasileira.
A corrida presidencial também adiciona riscos de picos de volatilidade e torna o equilíbrio do câmbio mais frágil. O Banco Central realizou o chamado ‘casadão’, operação simultânea de venda de dólares no mercado à vista e oferta de 20 mil contratos, equivalentes a US$ 1 bilhão, em swaps cambiais reversos, que representam compra de dólar futuro. A oferta no mercado à vista foi totalmente absorvida, com aceitação de 12 propostas, indicando que a operação não teve como objetivo atender a uma demanda específica. A operação pode ter buscado prover liquidez em um momento de fluxo cambial desfavorável e dar continuidade à redução do estoque de swaps cambiais.
O cupom cambial, que representa os juros em dólar no Brasil, permanece comportado, sugerindo uma atuação preventiva do Banco Central diante do aumento da saída de recursos no fim do mês. No cenário para os juros norte-americanos, a taxa de câmbio já incorpora, nos níveis atuais, probabilidade majoritária de pelo menos uma elevação dos juros pelo Federal Reserve ainda neste ano. O principal risco está em dados de atividade econômica e inflação nos Estados Unidos surpreenderem para cima, levando o mercado a precificar um aperto monetário maior ao longo de 2027. No Brasil, a eleição presidencial tende a ganhar maior influência sobre o comportamento do Real nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.