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28/Aug/2026

Clima: El Niño pode ser o mais intenso desde 1950

O El Niño em formação pode se tornar o mais intenso já observado desde 1950, segundo avaliação do Citi baseada nas projeções mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A NOAA atribui probabilidade superior a 90% à ocorrência de um evento muito forte e estima em 69% a chance de que, entre outubro e dezembro, a intensidade supere a de todos os episódios registrados desde o início da série histórica. O fenômeno representa atualmente o principal risco para os mercados agrícolas no fim de 2026 e início de 2027. O El Niño se fortaleceu de forma relevante no último mês e já está estabelecido no Pacífico tropical. As condições oceânicas e atmosféricas indicadas pela NOAA e pelo Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI) favorecem nova intensificação até o fim de 2026, com pico provável em novembro e dezembro.

O risco não está apenas na ocorrência de um evento de forte intensidade. Os mercados ainda incorporam apenas parte das possíveis perdas de produção caso o fenômeno evolua conforme as projeções. Óleo de palma, café robusta, arroz, açúcar, cacau e trigo australiano estão entre as commodities mais expostas, enquanto os principais riscos geográficos estão concentrados na Austrália, Índia, Sudeste Asiático e em partes do Brasil. Alguns ajustes já começaram a aparecer nas estimativas de oferta. Desde março, as maiores revisões negativas ocorreram no café robusta, com corte de 4% na projeção de produção, seguido pelo óleo de palma, com redução de 2,5%, pelo açúcar, com queda de 2%, e pelo arroz, com redução de 1,5%. O banco ressalta que esses cortes ainda estão abaixo das perdas potenciais indicadas por seu modelo para um El Niño forte.

Os efeitos, contudo, devem variar significativamente entre regiões e culturas. A Austrália apresenta maior risco para trigo, cevada e canola devido à associação histórica entre El Niño e condições mais secas. Na Índia, as preocupações estão concentradas em arroz, açúcar e algodão dependentes das chuvas de monção. Indonésia, Malásia, Vietnã e Tailândia ficam mais vulneráveis à seca, com possíveis impactos sobre óleo de palma, café, açúcar e arroz. A Argentina aparece como exceção, já que historicamente o fenômeno melhora a disponibilidade de umidade em áreas produtoras de milho e soja. Uma eventual redução da oferta também pode alcançar os preços dos alimentos, embora esse repasse não ocorra de forma automática. A relação entre os preços agrícolas negociados internacionalmente e a inflação de alimentos é relativamente fraca no curto prazo, mas aumenta quando considerada uma defasagem de quatro a cinco meses. Nesse intervalo, a correlação calculada pelo banco chega a 0,65.

Países mais dependentes de importações agrícolas tendem a apresentar maior exposição. O risco de alta dos preços pode ser reforçado por fatores independentes das condições climáticas. Os custos elevados de energia e fertilizantes, as interrupções no comércio pelo Mar Negro e o aumento da demanda por biocombustíveis como elementos capazes de apertar os balanços agrícolas nos próximos seis a 12 meses. Porém, o Citi não considera inevitáveis as perdas agrícolas. O clima permanece como a principal variável de incerteza e pode resultar tanto em balanços globais mais apertados quanto mais confortáveis. Grandes safras de milho e soja nos Estados Unidos, condições de chuva mais favoráveis na Argentina e uma eventual normalização parcial dos fluxos comerciais pelo Mar Negro também podem limitar a pressão sobre os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.