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28/Aug/2026

Falta de mão de obra é principal desafio do Agro

Segundo o levantamento “Mercado de Trabalho na Agropecuária: Evidências sobre Escassez de Mão de Obra e Produtividade”, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a escassez de mão de obra é atualmente a principal preocupação dos produtores rurais brasileiros, superando fatores como clima, preços e custos de produção. A pesquisa mostrou que 44,5% dos participantes consideram a falta de trabalhadores o principal desafio enfrentado pelo setor, enquanto 94,8% relataram dificuldades para contratar mão de obra. Entre as principais consequências da escassez estão atrasos nas operações, apontados por 48,7% dos entrevistados, adiamento ou suspensão de planos de crescimento, mencionado por 48%, e elevação dos custos de produção, indicada por 43,9%.

Como resposta à dificuldade de contratação, 43,9% dos participantes relataram aumento dos custos de produção, 42,6% anteciparam planos de mecanização ou automação das atividades de campo e 27,9% informaram mudanças para atividades menos intensivas em mão de obra. O levantamento identificou como uma das causas da redução da disponibilidade de trabalhadores rurais o aumento da escolaridade da população do campo. Em 2025, o número de trabalhadores rurais com ensino médio era 114% superior ao de 2012, enquanto, entre aqueles com ensino superior, o crescimento alcançou 155% no mesmo período. Outro fator apontado é a migração de trabalhadores rurais para outros segmentos da economia, especialmente o setor de serviços, além do deslocamento de parte da população do campo para as cidades.

Como reação à maior competição pela força de trabalho, o setor agropecuário vem elevando salários e ampliando a oferta de benefícios para atrair e reter trabalhadores. Entre 2022 e 2025, os salários médios cresceram 35,2% na agropecuária, acima da alta de 24,8% observada na economia brasileira como um todo. Entre os trabalhadores formais, os salários do agro avançaram mais do que os da economia geral em todas as regiões do País. Na Região Centro-Oeste, o aumento alcançou 68% entre 2007 e 2025, ante 16% na economia em geral. Além da remuneração, é frequente a oferta de benefícios como moradia, água, energia elétrica, internet e alimentação, reduzindo despesas que, nos centros urbanos, normalmente são assumidas pelos trabalhadores.

O estudo também avaliou a possível relação entre programas sociais, como o Bolsa Família, e as dificuldades de contratação no campo. Entre os produtores entrevistados, 63,2% relataram ter enfrentado diversas vezes recusas de trabalhadores que buscavam evitar a perda do benefício social, enquanto 83% perceberam algum efeito desses programas sobre a dificuldade de encontrar mão de obra. Embora a taxa de desemprego venha recuando desde 2020 em todas as regiões do Brasil, o levantamento destacou a persistência de uma parcela relevante de trabalhadores subutilizados. Em 2025, a taxa de desemprego girava em torno de 5%, equivalente a 6,3 milhões de pessoas desocupadas. A taxa de subutilização alcançava 14,4% da força de trabalho, representando mais de 15 milhões de pessoas, enquanto a força de trabalho potencial, formada por pessoas que não trabalham e não procuram emprego, somava 5,5 milhões.

No debate sobre programas sociais e inserção no mercado de trabalho, foi defendida a manutenção temporária de benefícios como o Bolsa Família após a obtenção de emprego, como forma de facilitar a transição para a nova ocupação e estimular a entrada e a permanência dos beneficiários no mercado formal. Também foi ressaltada a importância de serviços públicos municipais, especialmente nas áreas de saúde e educação, para ampliar a mobilidade social, sobretudo entre crianças de famílias atendidas por programas sociais. Diante da escassez de trabalhadores, 88,8% dos produtores entrevistados adotaram alguma estratégia para contornar o problema.

Entre as principais medidas, 26% investiram em mecanização para ampliar a produtividade das propriedades, 20,8% implementaram ações para atrair e reter talentos, 9,5% aumentaram a terceirização e 8,7% investiram em automação ou tecnologias digitais. A mecanização constitui uma consequência da escassez de mão de obra e não sua causa. A insuficiência de trabalhadores também vem levando produtores a mudar de atividade ou reduzir planos de expansão. Apesar das restrições impostas pelo mercado de trabalho, a produtividade do trabalho agropecuário brasileiro acumulou crescimento de 218% entre 1997 e 2024, acima da expansão de 125% observada no mundo. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.