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27/Aug/2026

RJs de grandes empresas estão avançando no Brasil

As grandes companhias brasileiras que ingressaram em recuperação judicial ou extrajudicial nos últimos dois anos acumulam dívidas próximas de R$ 180 bilhões. O pedido de recuperação extrajudicial da Braskem, com endividamento total de R$ 56,5 bilhões e aprovado pelo conselho de administração, tornou-se o segundo maior do período, atrás da Raízen, cujas dívidas totalizam R$ 65 bilhões e que também recorreu à recuperação extrajudicial. A relação inclui ainda o grupo varejista Casas Bahia, com R$ 17 bilhões em débitos; a empresa de gestão ambiental Ambipar, com R$ 11 bilhões em passivos; e a cimenteira InterCement, com R$ 14,2 bilhões. As três companhias estão em processos de recuperação judicial, modalidade na qual não houve acordo com os credores e a condução é submetida à Justiça. O Grupo Pão de Açúcar (GPA), a empresa de saúde Oncoclínicas e a distribuidora AgroGalaxy também recorreram à Justiça, cada uma com dívidas de R$ 5 bilhões.

Os casos entre as maiores empresas em recuperação apresentam características distintas, mas têm em comum dificuldades financeiras associadas a decisões inadequadas de gestão. O ambiente de juros elevados é um dos fatores de pressão sobre as companhias, embora o custo financeiro afete empresas de diferentes setores e condições operacionais. A RGF Bizdoc, consultoria especializada em reestruturação, avaliou as 1.000 maiores empresas do País em faturamento e identificou 84 companhias com indicadores econômicos considerados críticos. Desse total, 12 já estão em recuperação judicial e 2 em recuperação extrajudicial. O levantamento indica elevada probabilidade de que parte dessas empresas avance para situações de crise, aumentando a possibilidade de novos acordos com credores e pedidos de proteção judicial nos próximos meses. Entre as atividades da RGF está a curadoria independente de informações financeiras de companhias para credores, conselhos de administração e seguradoras.

A consultoria também acompanha os processos de recuperação judicial e extrajudicial em todo o País por meio do Monitor RGF. O aumento dos pedidos de recuperação ganhou força após a atualização da legislação em 2020, que tornou mais flexível a utilização das modalidades judicial e extrajudicial. Entre as mudanças, houve redução do quórum necessário para aprovação dos credores e maior proteção ao dinheiro novo aportado após o início do processo. Os pedidos de recuperação apresentaram crescimento acelerado em 2025 e, em 2026, registram estabilização entre empresas grandes e muito grandes. Entre micro, pequenas e médias empresas, porém, houve incremento acentuado. A expansão é atribuída à maior utilização do instrumento jurídico e à presença de empresas agrícolas entre os negócios de menor porte. Embora classificadas como pequenas em termos empresariais, algumas dessas companhias são controladas por sócios com patrimônio elevado.

O aumento dos pedidos de recuperação não é considerado, por si só, indicativo de uma crise sistêmica. O movimento, contudo, pode resultar em demissões e produzir impactos sobre as cadeias de fornecedores. A tendência é de crescimento do número de empresas em condições financeiras críticas, mas sem configuração de um ‘efeito dominó’. A experiência de algumas recuperações extrajudiciais bem-sucedidas, como a da Light, indica a importância da atuação da administração em conformidade com os compromissos apresentados aos credores. Em outros casos, como o da Casas Bahia, a execução das medidas propostas pode não acompanhar integralmente os planos apresentados no processo de reestruturação. Na Braskem, a geração de caixa não tem sido suficiente sequer para cobrir os juros da dívida. A companhia apresenta patrimônio líquido negativo e acumula prejuízos por sete trimestres consecutivos.

A situação financeira também é pressionada pela necessidade, a partir de 2027, de preenchimento das minas de sal-gema relacionadas ao grave acidente ambiental ocorrido em Maceió (AL), elevando os compromissos financeiros e operacionais da companhia. Esse quadro ampliou a pressão para que a Petrobras, acionista da Braskem com 47% do capital com direito a voto, realize um aporte na petroquímica. A demanda parte principalmente dos bondholders, detentores de títulos de dívida emitidos no exterior. A Petrobras, porém, mantém posição contrária ao aporte e optou por fornecer crédito e apoiar a reestruturação das dívidas, medida adotada também na segunda-feira (24/08). O aumento dos pedidos de recuperação tende a produzir efeitos sobre o ambiente econômico e sobre a percepção da população, além de possíveis impactos no cenário eleitoral e na necessidade de medidas de apoio setorial com recursos públicos. O avanço das reestruturações também mantém sob atenção os efeitos sobre emprego, fornecedores, credores e empresas relacionadas às companhias em dificuldade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.