27/Aug/2026
O Irã pediu que a Organização das Nações Unidas (ONU), o Conselho de Segurança e os países-membros condenem as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o regime iraniano. Em carta enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, classificou as sanções norte-americanas como terrorismo econômico e argumentou que a política norte-americana representa uma ameaça ao multilateralismo, à diplomacia e à autonomia dos Estados na definição de suas relações econômicas e externas. O pedido ocorre após autoridades dos Estados Unidos anunciarem novas sanções contra o Irã e pressionarem outros países a escolherem lados no conflito do Oriente Médio. A estratégia norte-americana inclui a exigência de que governos reduzam ou interrompam relações com o Irã, sob ameaça de medidas que podem resultar no desligamento de indivíduos e entidades do sistema financeiro internacional baseado no dólar.
Na avaliação apresentada pelo governo iraniano, a política norte-americana busca aplicar de forma extraterritorial a legislação e os objetivos de política externa dos Estados Unidos, obrigando Estados soberanos a alterar relações comerciais consideradas legítimas. O principal questionamento do Irã está relacionado ao alcance das sanções sobre pessoas e empresas localizadas fora do território norte-americano e aos efeitos que medidas financeiras podem produzir sobre países que não participam diretamente do conflito. Araghchi solicitou que António Guterres, o Conselho de Segurança da ONU e os países-membros se posicionem sobre o que o governo iraniano considera uma política de intimidação e coerção. Segundo a argumentação apresentada na carta, a pressão exercida pelos Estados Unidos para modificar relações comerciais de outros Estados seria incompatível com o princípio da igualdade soberana previsto no Artigo 2, parágrafo 1, da Carta da ONU. O governo iraniano também sustenta que cada país deve manter autonomia para definir suas políticas econômicas e externas sem interferência de terceiros.
Nesse contexto, o Irã considera que a ausência de uma resposta da ONU poderia contribuir para a normalização de práticas que, na avaliação iraniana, violam princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. Entre os pontos considerados mais sensíveis pelo Irã estão as disposições das novas sanções que permitem atingir indivíduos e entidades independentemente de sua localização. Para o Irã, a possibilidade de exclusão do sistema financeiro internacional amplia o alcance das medidas norte-americanas para além da jurisdição dos Estados Unidos e cria riscos para empresas, instituições financeiras e agentes econômicos de outros países que mantenham relações comerciais com o Irã. A preocupação iraniana também envolve os possíveis efeitos das sanções sobre a população civil. A aplicação ampla das medidas pode restringir o acesso a alimentos, medicamentos, equipamentos médicos, energia e outros produtos considerados essenciais, caracterizando, na avaliação do governo iraniano, uma forma de pressão coletiva sobre a população.
O ministro relacionou ainda a atual escalada de pressão às duas guerras contra o Irã em 2025 e 2026 e à tentativa dos Estados Unidos de ampliar a participação de outros países no conflito. Diante da resistência de outros Estados em participar diretamente das hostilidades, os Estados Unidos passaram a utilizar instrumentos econômicos e financeiros para pressionar governos a alterar suas relações com o Irã. A disputa amplia a dimensão econômica do conflito no Oriente Médio e aumenta os riscos para fluxos comerciais, financeiros e logísticos envolvendo o Irã. A utilização do sistema financeiro internacional e do dólar como instrumento de pressão pode elevar os custos de transações com Teerã, afetar empresas de terceiros países e aumentar a necessidade de mecanismos alternativos de pagamento e comércio. O episódio também coloca a ONU diante de uma disputa sobre os limites das sanções unilaterais e de sua aplicação extraterritorial. Para o Irã, uma eventual ausência de reação da organização poderá fortalecer a capacidade dos Estados Unidos de utilizar seu sistema financeiro para influenciar decisões comerciais e diplomáticas de outros países. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.