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26/Aug/2026

Mercado de Carbono: restrições a CCS no Fundo Clima

A CCS Brasil, associação que reúne empresas, pesquisadores e entidades da sociedade civil voltadas a estratégias de captura e armazenamento de carbono (CCS), defendeu a adoção de critérios técnicos para a avaliação de projetos e criticou o tratamento restritivo à utilização de recursos do Fundo Clima nessa tecnologia. Em carta aberta à sociedade, ao Fundo Clima e ao Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), a entidade argumenta que a política climática deve priorizar os resultados efetivos de descarbonização, sem privilegiar ou restringir previamente determinadas tecnologias. A associação defende que a CCS seja analisada como um conjunto de soluções aplicáveis à captura de emissões em processos industriais, à remoção direta de CO2 da atmosfera e a fontes fósseis e biogênicas.

A entidade também critica a concentração do debate na recuperação avançada de petróleo com uso de CO2, conhecida como EOR. Segundo a carta, não foi identificado pleito concreto para utilização de recursos do Fundo Clima no financiamento de projetos de EOR no Brasil. A CCS Brasil diferencia essa modalidade de outras aplicações, como a bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS) na produção de etanol, a captura de emissões industriais e a captura e armazenamento direto de carbono da atmosfera (DACCS). A associação contesta ainda a classificação generalizada da CCS como tecnologia de baixa maturidade. Segundo dados do Global CCS Institute citados pela entidade, existem 77 instalações comerciais em operação no mundo, com capacidade próxima de 64 milhões de toneladas de CO2 por ano.

O armazenamento geológico monitorado em larga escala é praticado desde 1996, com o projeto Sleipner, na Noruega. A entidade ressalta, porém, que o grau de maturidade varia entre as diferentes rotas tecnológicas. Em relação aos custos, a CCS Brasil afirma que não existe um valor único para os projetos, uma vez que os investimentos dependem da concentração do CO2, do processo industrial, da escala, da infraestrutura de transporte e das características geológicas. Quanto à segurança, a associação sustenta que o armazenamento geológico é respaldado por mais de 25 anos de pesquisa e operação, com exigências de caracterização rigorosa, monitoramento e supervisão regulatória. O principal risco operacional estaria associado ao transporte por dutos de alta pressão, que utiliza tecnologias semelhantes às empregadas pela indústria de gás natural.

A entidade também rejeita a avaliação de que a CCS represente greenwashing ou seja exclusivamente um instrumento para prolongar o uso de combustíveis fósseis. Segundo a associação, a tecnologia pode integrar um portfólio de soluções para a transição energética, desde que submetida a critérios de transparência e verificação. Como alternativa às restrições prévias, a CCS Brasil propõe que os projetos sejam avaliados individualmente pelo Fundo Clima, com base em evidências técnicas, incluindo redução líquida das emissões ao longo do ciclo de vida, adicionalidade, mensuração, relato e verificação (MRV), permanência do armazenamento e salvaguardas socioambientais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.