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26/Aug/2026

Brasil: estratégia diante do novo cenário geopolítico

Segundo o Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), o Brasil precisa adaptar sua estratégia econômica ao novo cenário geopolítico, reduzir vulnerabilidades estruturais e criar condições para ampliar os investimentos na indústria nacional. A segurança econômica deve ser incorporada como prioridade do governo, com políticas de Estado de médio e longo prazo voltadas a questões como dependência externa de fertilizantes, concentração do comércio exterior, logística e competitividade industrial. O cenário internacional mudou significativamente e exige que o Brasil ajuste sua estratégia considerando a necessidade de reduzir riscos e ampliar a segurança econômica nacional. O Brasil passou décadas se beneficiando de um ambiente internacional relativamente favorável, mas a intensificação da competição entre Estados Unidos e China e a sucessão de conflitos geopolíticos alteraram esse cenário.

A guerra entre Rússia e Ucrânia expôs vulnerabilidades acumuladas durante a expansão da agricultura brasileira, entre elas a elevada dependência externa de fertilizantes, que chega a 85%. A questão dos fertilizantes, entretanto, integra um conjunto mais amplo de vulnerabilidades estruturais e conjunturais que precisam ser enfrentadas. Entre os pontos que demandam planejamento estão logística, educação, saúde, infraestrutura e concentração do comércio exterior. A estratégia deve ser construída para o médio e longo prazo e permanecer além dos ciclos de governo, evitando mudanças de prioridades a cada quatro anos. No comércio exterior, a diversificação dos mercados brasileiros deve continuar. Esse movimento já avançou principalmente por iniciativa do setor privado e foi acompanhado pela evolução das negociações comerciais do Mercosul.

O acordo entre Mercosul e União Europeia, o tratado com Singapura e as negociações com Japão, Canadá e outros países são considerados importantes para ampliar as alternativas comerciais brasileiras, especialmente diante da concentração das exportações na China. A estratégia chinesa de redução da dependência de produtos agrícolas importados também reforça a necessidade de diversificação. A busca por segurança econômica deixou de ser uma preocupação restrita ao Brasil e passou a orientar as políticas de diferentes países, tornando mais importante a construção de uma rede diversificada de mercados e fornecedores. Além da diversificação comercial, o Brasil precisa criar condições para elevar a competitividade da indústria e estimular novos investimentos. O custo da energia é apontado como um dos principais obstáculos à produção nacional, especialmente em segmentos cuja matéria-prima depende do gás natural.

Outras potências agrícolas também adotam políticas de incentivo e marcos regulatórios voltados ao desenvolvimento da indústria local. Nesse contexto, o Brasil pode aproveitar o tamanho de seu mercado interno e a demanda gerada pelo agronegócio para estimular investimentos. As novas tecnologias e os bioinsumos também representam oportunidades, considerando a elevada disposição dos produtores brasileiros para incorporar soluções capazes de elevar a produtividade. O desenvolvimento de bioinsumos pode contribuir para combinar tecnologia, produtividade e competitividade e, simultaneamente, ampliar as oportunidades de investimentos na indústria nacional. A utilização de tecnologias voltadas ao desenvolvimento de insumos agrícolas pode fortalecer a produção brasileira e reduzir vulnerabilidades externas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.