26/Aug/2026
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o cenário das contas públicas brasileiras afeta o agronegócio tanto pela dificuldade de investimento no campo quanto pela redução do consumo de produtos de maior valor agregado. A situação fiscal mantém os juros elevados, encarece o financiamento da produção e restringe a disponibilidade de recursos públicos para investimentos em infraestrutura. A atividade agropecuária depende fortemente de investimentos em tecnologia e, independentemente da disponibilidade de recursos do Plano Safra, o produtor necessita de condições de juros adequadas para acessar crédito e manter o processo produtivo.
A ausência de um ajuste das contas públicas amplia a incerteza e dificulta uma trajetória de redução das taxas de juros, criando um ambiente desfavorável à expansão dos investimentos no setor. Os efeitos também atingem o agronegócio pelo lado da demanda. O aumento do endividamento das famílias reduz a capacidade de consumo de produtos de maior valor agregado, como carnes, frutas e derivados de lácteos. Dessa forma, o setor enfrenta impactos simultâneos sobre os investimentos necessários à produção e sobre o consumo dos alimentos.
A situação fiscal também limita a capacidade do governo de ampliar os investimentos em infraestrutura. Projeção apresentada durante o evento indica que a dívida pública, atualmente em torno de 82% do Produto Interno Bruto (PIB), pode alcançar 95,5% até 2030 caso seja mantida a trajetória considerada no estudo apresentado pela CNA. O avanço das despesas obrigatórias reduz o espaço para gastos discricionários, entre os quais estão investimentos relevantes para o setor produtivo.
A menor capacidade de investimento público dificulta a solução de gargalos no escoamento da produção por rodovias, ferrovias e hidrovias. Os elevados custos logísticos do Brasil reduzem a competitividade do agronegócio no mercado internacional. Na avaliação da CNA, o ajuste fiscal não deve significar simplesmente uma redução generalizada dos gastos públicos, mas uma melhoria na eficiência da utilização dos recursos. Entre os temas que precisam ser avaliados estão a eficiência das despesas, o grau de vinculação do Orçamento e as emendas parlamentares. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.