26/Aug/2026
O Canadá anunciou, nesta terça-feira (25/08), tarifas de 15%, 25% e 50% sobre aproximadamente 700 bens norte-americanos, estimados em US$ 27,6 bilhões, em uma nova etapa da disputa comercial com os Estados Unidos. As medidas foram adotadas para reduzir a desvantagem competitiva provocada pelas tarifas norte-americanas e buscar maior equilíbrio nas condições de concorrência. As contramedidas foram estruturadas para enfrentar as tarifas dos Estados Unidos de forma equivalente, considerando dólar por dólar e alíquota por alíquota, com o objetivo de limitar os impactos da disputa comercial sobre os produtores canadenses no mercado doméstico. Produtos de aço, alumínio, móveis e roupas estarão sujeitos a tarifas de 50%. Laticínios, peixes e frutos do mar terão alíquota de 25%.
Outras contramedidas já aplicadas a determinados produtos, incluindo automóveis, permanecerão em vigor. O governo canadense também manterá uma estrutura para retirada de tarifas, que continuará recebendo pedidos de alívio excepcional. As novas medidas ocorrem após tentativas de negociação entre os dois países. O governo canadense avaliou que as condições apresentadas pelos Estados Unidos eram inaceitáveis e decidiu ampliar as barreiras comerciais em resposta às tarifas norte-americanas. Além das tarifas, o Canadá anunciou um novo pacote de US$ 7,5 bilhões em medidas de apoio às empresas, com o objetivo de oferecer suporte rápido a trabalhadores e empresários afetados pela disputa comercial. O montante se soma aos US$ 25 bilhões já disponibilizados pelo governo desde a implementação das primeiras tarifas norte-americanas no ano passado.
O novo programa deverá atender pequenas, médias e grandes empresas e poderá incluir subsídios, empréstimos com juros zero e outras modalidades de apoio financeiro. A combinação entre novas tarifas e medidas de suporte busca reduzir os efeitos da escalada comercial sobre a atividade econômica e a competitividade das empresas canadenses. Autoridades do Canadá afirmaram que o acordo comercial proposto pelos Estados Unidos era "muito ruim", trazia demandas excessivas para os canadenses e dava vantagem demais para os Estados Unidos. O ministro das Finanças e Receita Nacional, François-Philippe Champagne ressaltou diversas vezes que a disputa comercial não foi uma escolha do Canadá. "Os Estados Unidos demandaram que fizéssemos uma escolha. Decidimos enfrentá-los em nome do povo canadense e nossos trabalhadores, porque não vamos aceitar ser controlados por outro país", afirmou.
Ele evitou entrar em detalhes sobre o que teria sido comentado durante as negociações com os norte-americanos, mas admitiu que uma das condições seria que parcerias comerciais do Canadá teriam que passar por aprovação dos Estados Unidos. "Nosso futuro é nosso para decidir", enfatizou o ministro. As autoridades canadenses pediram que a população reforce campanhas a favor de priorizar a compra de produtos locais e que empresas destaquem quais produtos foram feitos no Canadá em suas prateleiras. Desta forma, os próprios canadenses fortalecem os negócios locais e as ferramentas do governo para retaliar os Estados Unidos. "Canadenses precisam ter confiança. Temos a economia de crescimento mais rápido dentre os países do G7, uma das menores taxas de dívida em relação ao PIB e boa disciplina fiscal", acrescentou Champagne.
A ministra da Indústria, Mélanie Joly disse já ter conversado com representantes de empresas canadenses e de multinacionais, incluindo da área automobilística, para manter os empregos no Canadá. Ela reconheceu a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aumentar tarifas sobre carros para 50%, contudo, ponderou que ainda não há uma ordem executiva implementando as taxas e que é cedo para comentar. "Agiremos se isso acontecer de fato, mas a taxa continua em 25%", disse. Joly também foi enfática ao apontar que a aliança com o vizinho norte-americano ainda é de interesse, mas que o Canadá "não quer ser parte dos Estados Unidos". Segundo ela, as contramedidas foram selecionadas estrategicamente para atingir produtos norte-americanos importantes e ampliar pressão política sobre o governo dos Estados Unidos. "Não é uma questão de amar o canadense que fala francês, como disse Trump. Temos sim um trabalho de reconciliação a fazer com toda a população do Canadá, mas a verdadeira questão é a soberania. É proteger empregos e toda a nossa cadeia de produção", afirmou. "Não podemos controlar as decisões de Washington, mas controlamos as nossas". Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.