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26/Aug/2026

EUA ameaça elevar tarifas sobre produtos do Canadá

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou elevar para 50%, a partir de 1º de janeiro de 2027, as tarifas incidentes sobre todos os carros, caminhões, peças automotivas e aço provenientes do Canadá. A medida amplia a tensão comercial entre os dois países e transforma a relação entre os antigos aliados em uma disputa tarifária mais abrangente. Trump declarou que o Canadá está entre os países mais difíceis para os Estados Unidos nas relações comerciais e que o país não deverá mais ser tratado como um Estado. Também argumentou que os Estados Unidos não dependem do Canadá, enquanto o Canadá dependeria do mercado norte-americano. Trump ampliou as críticas às autoridades canadenses e indicou que os Estados Unidos seriam essenciais para a sobrevivência econômica do Canadá. O presidente norte-americano também ameaçou aplicar consequências ainda mais severas caso o governo canadense não altere sua posição nas negociações comerciais.

As tensões entre Estados Unidos e Canadá aumentaram nos últimos dias depois que os dois países não chegaram a um acordo comercial. Como consequência, Trump impôs tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em exportações canadenses. A medida havia sido utilizada como instrumento de pressão para acelerar as negociações e estimular o Canadá a retirar parte das medidas retaliatórias adotadas contra outras tarifas norte-americanas introduzidas no ano anterior. As negociações se estenderam por semanas, durante as quais Trump indicou em diversas ocasiões que um acordo estava próximo. Apesar disso, os dois governos anunciaram que não haviam chegado a um consenso. No Canadá, a entrada em vigor das novas tarifas provocou reação imediata. O primeiro-ministro Mark Carney classificou a situação comercial entre os dois países como uma guerra e anunciou a intenção de retaliar com tarifas sobre produtos norte-americanos dos setores agrícola, eletrônico, siderúrgico e de outras atividades.

Carney também avaliou que, durante as negociações, a equipe norte-americana sinalizou a intenção de desestruturar setores considerados estratégicos para o Canadá. Segundo a avaliação do primeiro-ministro, essa postura contribuiu para a decisão canadense de rejeitar um possível acordo por considerar que os termos seriam desfavoráveis. O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, também criticou a política comercial de Trump. Ford ameaçou interromper o fornecimento de eletricidade e minerais considerados essenciais aos Estados Unidos caso a disputa comercial se intensifique. O governo de Ontário também reforçou a avaliação de que Trump estaria subestimando a capacidade de reação do Canadá. As tarifas já provocaram impactos relevantes sobre a indústria automobilística canadense, importante fornecedora de veículos, peças e aço para as montadoras norte-americanas.

Empresas como General Motors e Stellantis, fabricante das marcas Jeep e Chrysler, reduziram a produção no Canadá ou cancelaram planos de expansão no País. As associações da indústria automobilística, que normalmente representam os fabricantes em questões políticas, ainda não haviam se manifestado oficialmente sobre as novas tarifas. Em episódios anteriores, as entidades do setor criticaram as tarifas aplicadas aos automóveis e ao aço canadenses sob o argumento de que elas poderiam favorecer montadoras japonesas, coreanas e alemãs. Essas empresas poderiam importar produtos canadenses a preços mais competitivos que as montadoras norte-americanas e posteriormente vender os veículos no mercado dos Estados Unidos. Integrantes do governo Trump defenderam as decisões tarifárias e a estratégia de negociação adotada pelo presidente.

Porém, parlamentares democratas no Congresso criticaram a política comercial do governo, enquanto alguns republicanos também manifestaram preocupação com a possibilidade de aumento dos custos internos provocado pela elevação das tarifas. A eventual ampliação para 50% das tarifas sobre veículos, caminhões, autopeças e aço canadenses a partir de 1º de janeiro adiciona um novo fator de pressão sobre cadeias produtivas altamente integradas entre Estados Unidos e Canadá. A evolução das negociações e das medidas de retaliação será determinante para os custos da indústria automobilística, do setor siderúrgico e de outras cadeias dependentes do comércio bilateral. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.