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25/Aug/2026

Disputas comerciais ampliam tensões EUA-Canadá

O representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, atribuiu o fracasso das negociações comerciais com o Canadá à demanda canadense por um volume maior de isenções tarifárias. Segundo a avaliação norte-americana, o Canadá recebeu uma proposta considerada a melhor condição de acesso ao mercado dos Estados Unidos, com tratamento preferencial em relação aos demais países, mas buscou condições adicionais. Entre os principais pontos de divergência esteve o setor automotivo. O Canadá pretendia ampliar o escopo das negociações para incluir caminhões mais pesados, além de caminhões de passageiros e automóveis. Os Estados Unidos não aceitaram ampliar as concessões previstas na proposta apresentada.

Outro ponto de conflito envolve a tributação e a participação de empresas norte-americanas de tecnologia no mercado canadense. O Canadá adota medidas que exigem de empresas como a Netflix a destinação de 5% da receita aos produtores de conteúdo canadenses. Para os Estados Unidos, esse mecanismo representa uma forma de tributação discriminatória sobre empresas norte-americanas. Diante das divergências, o governo dos Estados Unidos mantém a estratégia comercial em curso e considera que não há impedimento para dar continuidade à política tarifária conforme o planejamento estabelecido. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (24/08) que pretende elevar para 50% as tarifas sobre carros, caminhões, autopeças e aço importados do Canadá a partir de 1º de janeiro de 2027.

Trump acusou o Canadá de "explorar" os Estados Unidos há anos e de impor tarifas "ridiculamente altas" sobre agricultores e produtos agrícolas norte-americanos, o que, segundo ele, teria contribuído para um déficit comercial de US$ 60 bilhões entre os dois países. Trump também disse que não haverá tarifas para empresas que produzirem nos Estados Unidos. "Construam nos EUA e não há tarifas", afirmou em rede social. No texto, Trump acrescentou que o Canadá "não será mais tratado como um Estado" e classificou o país como um dos piores do mundo para negociar. As declarações de Trump vieram após os Estados Unidos aplicarem tarifas de 50% a cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses no fim de semana, na esteira do fracasso de negociações entre os países vizinhos.

Ainda. o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou que não possui quaisquer reuniões agendadas com autoridades canadenses após a rejeição do acordo comercial bilateral neste fim de semana. Greer contrastou a abordagem do Canadá com a do México, dizendo que o ministro do Comércio do México está programado para se encontrar com ele nesta terça-feira (25/08) e chamando os oficiais mexicanos de "muito construtivos" em questões comerciais, incluindo esforços para conter o transbordo. Ainda, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, acusou o Canadá de tratar produtos da China "de maneira mais justa" do que trata produtos norte-americanos. Vance acrescentou que, sem a ajuda dos Estados Unidos, o Canadá estaria "suscetível" a invasões militares. O vice-presidente afirmou que "há anos" o Canadá e a China têm sido os "piores países" para parceria em políticas comerciais.

Segundo ele, o Canadá está servindo como "porta dos fundos" para que os produtos chineses entrem nos Estados Unidos e contornem taxações norte-americanas. "Eles [canadenses] também aplicam tarifas ridículas em estados norte-americanos como o Maine e dificultam a entrada dos nossos agricultores, mas não pagam nada em troca para vender seus produtos aqui", frisou. Vance ainda acusou o Canadá de apresentar "demandas irrazoáveis" no último minuto das negociações. "Eu acreditei que tínhamos um acordo, e deveríamos ter um. As conversas vão continuar. Mas, nesse momento, estamos mandando uma mensagem a eles sobre o que acreditamos ser justo", afirmou. O vice-presidente criticou o Canadá por não "investir o suficiente" em defesa por anos e "depender da proteção" dos Estados Unidos. Segundo ele, sem ajuda, os canadenses estão "muito suscetíveis" a invasões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.