25/Aug/2026
O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, defendeu o endurecimento da posição do Canadá na disputa comercial com os Estados Unidos e indicou que eletricidade e minerais críticos da província poderão ser utilizados como instrumentos de retaliação caso as tensões aumentem. Entre os recursos citados estão níquel de alta qualidade e urânio refinado no Canadá. Ford afirmou que os Estados Unidos subestimam a disposição dos canadenses de absorver custos econômicos para resistir à pressão comercial. A avaliação ocorre após o agravamento das relações entre os dois países e o colapso das negociações comerciais entre os governos de Canadá e Estados Unidos. As negociações fracassaram depois que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, decidiu se afastar do acordo em discussão, diante da avaliação de que os Estados Unidos exigiam concessões excessivas em troca de alívio tarifário.
Os Estados Unidos aplicaram tarifas de 50% no dia 22 de agosto, enquanto Carney anunciou que o Canadá pretende retaliar em igual proporção a partir de 8 de setembro. A disputa voltou a escalar com a indicação de novas tarifas norte-americanas sobre automóveis, peças automotivas e aço canadenses em 2027. Nesse cenário, todas as opções de retaliação devem permanecer disponíveis, incluindo a redução ou interrupção do fornecimento de eletricidade e minerais críticos de Ontário para os Estados Unidos. Além de níquel e urânio, Ford defendeu que o Canadá avalie o uso de petróleo e potássio como instrumentos de negociação. A estratégia amplia o foco da disputa para produtos considerados relevantes para a segurança energética e para cadeias industriais norte-americanas. Ontário já utilizou o fornecimento de eletricidade como instrumento de pressão durante uma etapa anterior da disputa comercial. Na ocasião, a província aplicou uma sobretaxa de 25% sobre a eletricidade exportada para Michigan, Minnesota e Nova York.
Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou dobrar as tarifas sobre o aço e o alumínio canadenses, antes que os dois lados recuassem. Ford também criticou a política comercial do presidente norte-americano, Donald Trump, e avaliou que os Estados Unidos não buscam apenas melhores condições em um acordo comercial, mas pressionam para reduzir a atividade industrial canadense e transferir produção para os Estados Unidos. O primeiro-ministro de Ontário também se posicionou contra o acordo preliminar que Carney avaliava antes da interrupção das negociações. Apesar do aumento das tensões e da possibilidade de utilização de recursos estratégicos como instrumentos de retaliação, Ford defendeu a manutenção do diálogo entre os dois países. A posição de Ontário é de que o Canadá deve continuar negociando mesmo diante do agravamento da disputa comercial.
Ainda, o governo do Canadá anunciou nesta segunda-feira (24/08) um investimento de 11 bilhões de dólares canadenses (US$ 7,94 bilhões) na construção de seis navios quebra-gelo, seguindo o fracasso nas negociações com os Estados Unidos. Em comunicado, foi apontado que "relações comerciais estabelecidas estão sendo postas à prova, e o Canadá não está de braços cruzados. Estamos agindo com rapidez, aproveitando novas oportunidades e reduzindo nossa dependência de um único parceiro". "Esse investimento histórico impulsiona a indústria nacional de construção naval do Canadá, fortalece nossa capacidade de manter abertas rotas comerciais críticas e reforça nossa autonomia estratégica".
Todos os seis quebra-gelos serão construídos no Canadá, no Estaleiro Davie em Lévis, Quebec, gerando quase 5 mil empregos na fase de construção e contribuindo com cerca de 650 milhões de dólares canadenses anuais para o PIB do Canadá. Sob a política governamental de preferência por produtos canadenses, essas embarcações serão construídas com aço canadense e outros materiais nacionais, maximizando as oportunidades para fabricantes, fornecedores e pequenas e médias empresas do Canadá, diz o comunicado. "Além disso, isso consolida a posição do Canadá como sede da maior frota de quebra-gelos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), reforça a segurança nacional no Norte e protege os interesses canadenses. A construção terá início em 2027, o primeiro navio ficará pronto cinco anos depois, e a frota completa entrará em operação até 2038", conclui. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.