24/Aug/2026
A China prepara medidas fiscais adicionais para apoiar a economia conforme a evolução do crescimento, em um cenário de desaceleração da atividade. O governo pretende manter a estabilidade da política macroeconômica e direcionar uma parcela maior dos gastos públicos para as famílias e o consumo, com o objetivo de fortalecer a demanda interna. A coordenação entre as políticas fiscal, monetária e industrial será intensificada. Novas medidas de apoio para o segundo semestre estão em preparação, mas os detalhes e o volume do eventual pacote fiscal adicional ainda não foram divulgados. Em paralelo, o Ministério das Finanças ampliou os subsídios de juros para determinadas operações de crédito. A medida prevê cobertura de 1% dos juros de empréstimos elegíveis contratados por pequenos negócios, pelo prazo de até dois anos. O benefício também foi estendido a compras parceladas realizadas com cartão de crédito, com elevação dos limites de cobertura.
As iniciativas integram uma estratégia de reforço do suporte à demanda doméstica por meio de maior participação do gasto público, estímulos ao consumo e redução do custo financeiro para empresas e consumidores. A combinação entre política fiscal, monetária e industrial deverá ser intensificada de acordo com a evolução da economia chinesa ao longo do segundo semestre. A China está deixando para trás as leituras tradicionais de crescimento puxado por exportações ou por investimento doméstico e passou a ancorar a política econômica em uma lógica de segurança nacional, segundo o Peterson Institute for International Economics (PIIE). A incerteza externa hoje vem menos de oscilações de mercado e mais de decisões de governos estrangeiros, em meio às tensões comerciais e tecnológicas com os Estados Unidos. O PIIE descreve três pilares desse novo modelo. O primeiro é a "dupla circulação", que tenta dar mais peso à demanda interna e, ao mesmo tempo, diversificar parceiros comerciais para reduzir dependências consideradas estratégicas.
O segundo é uma estratégia industrial centrada em inovação autossuficiente e reorientação do crescimento para setores de alta tecnologia, inclusive como resposta a vulnerabilidades expostas por restrições dos Estados Unidos. O terceiro é um conjunto legal e regulatório de medidas anticoerção que dá ao governo instrumentos para retaliar ações externas e restringir fluxos de bens, serviços, pessoas e tecnologia. O instituto alerta para desafios na implementação, como consumo doméstico fraco, riscos financeiros ligados ao ajuste do setor imobiliário e aumento de atritos comerciais também com emergentes. O avanço de "armas econômicas" pode aprofundar o dilema de segurança entre Estados Unidos e China ao alimentar um ciclo de ação e reação, e o estudo sugere medidas unilaterais e bilaterais para reduzir o risco de escalada, apoiadas em princípios do comércio multilateral. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.