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24/Aug/2026

EUA: troca de porta-aviões no Oriente Médio expõe crise

O porta-aviões USS George Washington, baseado no Japão, chegou ao Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln, que permanece há quase nove meses no mar e enfrenta uma crise operacional relacionada às condições da tripulação. O contingente relata exaustão, falta de alimentos e produtos de higiene, além de problemas de saúde mental. O Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares no Oriente Médio, informou que o USS George Washington chegou no dia 19 de agosto. Os primeiros sinais da crise no USS Abraham Lincoln vieram a público há duas semanas, durante uma reunião do comando naval com familiares da tripulação em San Diego, na Califórnia. Na ocasião, houve relatos relacionados aos 260 dias de permanência do porta-aviões no mar.

Entre os problemas relatados estão tentativas de suicídio, falta de frutas, legumes e carnes frescas, água quente, desodorante e pasta de dente. Também foram apontadas condições inadequadas de infraestrutura, com chuveiros com mofo e banheiros quebrados, além da impossibilidade de a tripulação lavar as próprias roupas. O USS Abraham Lincoln deixou San Diego em novembro/2025 e, desde então, realizou apenas uma escala, em Guam, em dezembro, quando foi redirecionado para o Oriente Médio. Após a destruição da principal base dos Estados Unidos no Bahrein, o porta-aviões permaneceu no Golfo de Omã e evitou o Estreito de Ormuz. Desde o início da crise, o presidente norte-americano, Donald Trump, procurou minimizar os problemas, enquanto o secretário de Defesa, Pete Hegseth, negou que a tripulação estivesse enfrentando dificuldades.

A maior parte dos cerca de 5 mil tripulantes evitou falar com jornalistas devido ao temor de retaliações. Na semana passada, porém, a imprensa norte-americana passou a receber relatos de integrantes da tripulação confirmando os problemas, o que levou o Pentágono a deslocar o USS George Washington para o Oriente Médio. A substituição do USS Abraham Lincoln não encerrou a situação envolvendo os demais navios que integram o grupo de combate. O USS Abraham Lincoln é escoltado pelos destroieres USS Frank Petersen Jr., USS Michael Murphy e USS Spruance, cada um com tripulação de aproximadamente 300 pessoas. Os três navios enfrentam problemas semelhantes aos relatados no porta-aviões. Antes da substituição, tripulantes dos destroieres demonstravam maior receio em relatar as condições a bordo, em razão da dificuldade de preservar o anonimato das denúncias em grupos menores.

Com a confirmação da substituição do USS Abraham Lincoln, parte dos militares decidiu relatar os problemas. O Pentágono ainda não definiu o destino dos três destroieres, que transportam sistemas de defesa aérea e antimíssil, além de sonar e torpedos antissubmarinos. A retirada do USS George Washington da Ásia criou uma lacuna na presença naval dos Estados Unidos no Pacífico Ocidental, que passou a ficar sem um porta-aviões. A redução temporária da presença de poder de fogo norte-americano na região aumenta as preocupações sobre possíveis movimentos mais agressivos da China ou da Coreia do Norte. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.