21/Aug/2026
O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (20/08) em alta de 0,32%, a R$ 5,19, após atingir a máxima de R$ 5,20. A moeda norte-americana acompanhou o fortalecimento no exterior em um ambiente de menor apetite ao risco, influenciado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pela alta dos preços do petróleo. Na semana, o dólar acumula valorização de 2,16%. No mês, a alta chega a 2,42%, após queda de 1,79% em julho, enquanto no ano a moeda ainda registra perda de 5,39%. A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adoção de uma guerra econômica contra o Irã provocou nova pressão sobre o petróleo e reduziu o apetite por ativos de risco observado na sessão anterior, quando o Tesouro norte-americano havia anunciado aumento da recompra de títulos de longo prazo. O Brent para outubro avançou mais de 2% e operou na faixa de US$ 93,00 por barril. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, reforçou a perspectiva de ampliação das sanções econômicas contra o Irã, mas indicou menor probabilidade de retomada dos ataques norte-americanos.
A evolução das tensões e seus efeitos sobre o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz permanecem como fatores de risco para a inflação global e para a trajetória das moedas. No mercado doméstico, o Real apresentou desempenho mais fraco em agosto entre as principais moedas emergentes. O movimento está associado à redução da exposição de investidores estrangeiros a ativos brasileiros nas primeiras semanas do mês e ao aumento da sensibilidade dos mercados à corrida presidencial. Em um ambiente de agenda doméstica mais fraca, o cenário externo permanece como principal vetor de formação do câmbio, enquanto as incertezas eleitorais adicionam pressão sobre a moeda brasileira. O índice DXY, que acompanha o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operou com viés de alta e girava próximo de 98,800 pontos, com destaque para a desvalorização do iene. Os juros dos Treasuries também avançaram após a queda observada na sessão anterior, embora de forma moderada.
A ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) de julho voltou a evidenciar preocupação com a dinâmica da inflação nos Estados Unidos. Apesar disso, o documento não alterou a expectativa predominante de manutenção da taxa básica de juros na reunião de setembro. No mercado brasileiro, as projeções para o câmbio permanecem condicionadas à combinação entre cenário externo, trajetória da inflação, política monetária norte-americana e risco fiscal e eleitoral doméstico. Em um cenário de enfraquecimento global do dólar e eventual ajuste das contas públicas após as eleições, a estimativa aponta para uma taxa entre R$ 4,50 e R$ 4,75 no fim de 2026. Em um cenário de deterioração externa combinada com estresse fiscal doméstico, o dólar poderia superar R$ 6,00 e alcançar R$ 6,50. Em uma terceira hipótese, com ambiente global favorável, mas aumento do risco-país após as eleições, a projeção fica entre R$ 5,75 e R$ 6,00. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.