21/Aug/2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode aprovar até o fim de 2026 o registro de oito novas canetas de liraglutida e semaglutida para tratamento do diabetes tipo 2. Quatro processos são referentes a medicamentos à base de liraglutida e outros quatro a tratamentos com semaglutida. Uma das análises está em estágio mais avançado e deve ser concluída ainda em agosto. A Anvisa vem intensificando o ritmo de avaliação desses medicamentos com o objetivo de ampliar a oferta de produtos regularizados no mercado e facilitar o acesso, reduzindo a procura por substâncias irregulares. Embora os registros tenham como foco o tratamento do diabetes tipo 2, os novos produtos poderão ser utilizados de forma off-label para obesidade, como já ocorreu com o Ozempic. A ampliação da concorrência entre produtos regularizados tende a aumentar a oferta e contribuir para a redução dos preços das canetas, um dos principais fatores que dificultam o acesso a esses medicamentos.
A entrada de novos fabricantes também pode reduzir a demanda por produtos irregulares. Em julho, a Anvisa registrou cinco novas canetas de semaglutida, princípio ativo do Ozempic. Os medicamentos análogos aprovados são Orsema, da Ranbaxy; Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Pharma; Semavy, da Cosmed; e Zempneo, da Brainfarma. Além dos oito processos atualmente em análise, existem outros cinco processos cuja avaliação deve ser iniciada em 2027. Atualmente, o Brasil possui 21 canetas autorizadas, incluindo medicamentos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. A ampliação do número de produtos autorizados coloca o Brasil entre os principais mercados de agonistas de GLP-1 e pode resultar em um dos ambientes de maior concorrência mundial para essa classe de medicamentos no segundo semestre, considerando o número de opções regularizadas previstas no País.
No âmbito do combate ao contrabando e à comercialização de produtos irregulares, a Anvisa também deverá firmar um acordo com a agência regulatória do Paraguai para compartilhamento de informações sobre medicamentos. Dados da alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR) mostram que as apreensões de medicamentos dessa classe aumentaram cerca de 1.000% em um ano. A Anvisa também trabalha na elaboração de uma nova regra para importação e manipulação de canetas destinadas ao tratamento da obesidade. Outra frente envolve a criação de um sistema de vigilância para que farmácias de manipulação notifiquem eventos adversos registrados após o uso de canetas manipuladas. Em maio, a Anvisa pediu vista do processo relacionado ao tema, retirando a discussão da pauta das reuniões da diretoria colegiada. A agência vem reunindo novas informações antes de deliberar sobre a questão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.