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21/Aug/2026

Tarifas dos EUA não reduzem dependência da China

Segundo o Peterson Institute for International Economics (PIEE), a política tarifária dos Estados Unidos não vem remodelando de forma ampla as cadeias globais de valor, mas principalmente os segmentos destinados ao abastecimento do próprio mercado norte-americano. Apesar de anos de tarifas elevadas, as medidas não reduziram de forma significativa a dependência dos Estados Unidos de bens e serviços com origem na China. Entre 2017 e 2024, a participação das importações diretas da China no total de produtos adquiridos pelos Estados Unidos recuou cerca de sete pontos porcentuais, para 11%. O indicador é frequentemente utilizado para demonstrar uma redução da dependência norte-americana em relação à China, mas não captura integralmente a presença chinesa nas cadeias de suprimentos dos Estados Unidos. Ao considerar também as importações indiretas, que correspondem a produtos adquiridos de terceiros países, mas que incorporam partes, componentes e outros conteúdos fabricados na China, a redução da participação chinesa é significativamente menor.

Um exemplo é a importação pelos Estados Unidos de um computador produzido no Vietnã que utiliza componentes chineses. Pelos cálculos do PIEE, a participação combinada das importações diretas e indiretas de conteúdo chinês recuou apenas dois pontos porcentuais entre 2017 e 2024. As tarifas estimularam principalmente a reorganização de rotas comerciais e de etapas produtivas para contornar os impostos, em vez de promover uma redução estrutural da dependência de fornecedores chineses. A mudança pode envolver a transferência de determinadas etapas de produção para terceiros países, mantendo componentes ou insumos de origem chinesa incorporados aos produtos destinados ao mercado norte-americano. Tarifas amplas podem gerar efeitos contraproducentes quando reduzem a visibilidade sobre a exposição efetiva dos Estados Unidos a gargalos de fornecimento. Nesse cenário, formuladores de políticas podem subestimar riscos relacionados à segurança econômica e à disponibilidade de insumos essenciais para setores considerados estratégicos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.