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21/Aug/2026

Dólar em baixa acompanhando movimento externo

O dólar apresentou queda firme em relação ao Real nesta quarta-feira (19/08), acompanhando a desvalorização global da moeda norte-americana após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar que poderá até duplicar o volume de recompra de títulos de longo prazo. A perspectiva de injeção de liquidez reduziu o estresse nos mercados de renda fixa dos Estados Unidos, Europa e Japão, favoreceu o apetite por ativos de risco e acabou ofuscando a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), que teve impacto limitado sobre o comportamento do dólar. Com mínima de R$ 5,15, o dólar fechou em queda de 0,86%, a R$ 5,17, pela primeira vez abaixo de R$ 5,20 no fechamento após três pregões. Apesar do recuo, a moeda norte-americana ainda acumula alta de 1,83% na semana e de 2,09% em agosto, após desvalorização de 1,79% em julho. O anúncio de recompra de títulos pelo Tesouro dos Estados Unidos foi interpretado pelo mercado como um sinal de preocupação das autoridades com a alta das taxas de juros de longo prazo, contribuindo para a perda de força do dólar.

O movimento também favoreceu o iene, que apresentou valorização na sessão, em um contexto recente de atuação coordenada de autoridades norte-americanas e japonesas para dar suporte à moeda japonesa. O Real apresentou um dos melhores desempenhos entre as moedas emergentes, recuperando parte das perdas recentes atribuídas ao reposicionamento de investidores estrangeiros, que reduziram a exposição a ativos domésticos diante da proximidade das eleições presidenciais. A avaliação do mercado é de que a valorização do Real tende a permanecer limitada até a definição do processo eleitoral. O comportamento posterior do câmbio dependerá, entre outros fatores, da política econômica e fiscal que venha a ser adotada pelo próximo governo. Para o Commerzbank, o Real deve permanecer sob pressão até as eleições de outubro, com o dólar podendo alcançar R$ 5,30 em setembro, mas tende a se apreciar nos últimos dois meses do ano, apoiado pela política monetária conservadora do Banco Central. A expectativa predominante é de apenas mais um corte da taxa Selic em 2026, para 13,75%, mantendo o juro real próximo de 10%.

Nesse cenário, o Commerzbank projeta o câmbio em R$ 5,20 após a redução dos riscos políticos e em R$ 4,80 no fim de 2027. O índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,87%, aos 98,793 pontos, próximo da mínima de 98,770 pontos. Os juros dos Treasuries de 10 e 30 anos cederam, enquanto o retorno do título de dois anos, mais sensível às expectativas para os próximos passos do Federal Reserve, operou com viés de alta. A ata da reunião de política monetária do Federal Reserve realizada em julho indicou preocupação da instituição com a inflação e manutenção de uma postura de vigilância. Na ocasião, três dirigentes votaram a favor de uma alta da taxa básica norte-americana, mas o documento não apontou consenso para um aumento imediato dos juros. A ata também foi elaborada antes dos dados mais favoráveis de inflação divulgados na semana anterior e não trouxe detalhes adicionais sobre os dissidentes da reunião de julho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.