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21/Aug/2026

Impacto de tarifas dos EUA na exportação brasileira

Segundo cálculos do Bradesco, a série de tarifas estabelecidas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros desde o início de 2025 resultou em perda líquida de US$ 4,2 bilhões para o Brasil. Embora as exportações totais do País tenham crescido 3,3% em 2025 e superado US$ 348 bilhões, a política tarifária norte-americana provocou impactos relevantes em setores específicos da pauta exportadora brasileira. A perda bruta total é estimada em US$ 6,9 bilhões. Desse montante, US$ 2,7 bilhões foram redirecionados para outros destinos, reduzindo o impacto líquido, enquanto o restante se transformou em perda acumulada para os setores exportadores. O estudo avalia que não houve impacto macroeconômico significativo sobre o conjunto da economia brasileira, considerando o desempenho das exportações totais em 2025.

Os efeitos, entretanto, foram expressivos em determinados segmentos, especialmente entre os produtos com maior exposição ao mercado norte-americano. A maior parte dos produtos exportados pelo Brasil foi submetida a tarifas de 10%, com alíquotas que chegaram a 50% em medidas específicas. Os produtos derivados de aço e alumínio alcançaram tarifa máxima de 100%. Em sentido contrário, 140 produtos, majoritariamente derivados de petróleo, não foram submetidos a tarifas ao longo do período analisado. O levantamento considera sobretaxas globais aplicadas com base na Seção 232 do Trade Act e medidas relacionadas ao International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), que tiveram impacto particularmente elevado sobre o Brasil.

Também foram registradas reversões de medidas, como a retirada de tarifas sobre produtos alimentícios em novembro de 2025 e a derrubada das tarifas baseadas no IEEPA pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro de 2026. Os setores atingidos por tarifas mais elevadas e implementadas mais cedo foram os que registraram as maiores perdas. Os semiacabados de aço apresentaram a maior perda bruta, estimada em US$ 1,48 bilhão, seguidos por ferro-gusa e ferroligas, com perda de US$ 831,5 milhões. O setor de artefatos de metal registrou a maior tarifa média, de 69,7%. A intensidade dos impactos setoriais também está relacionada à participação dos Estados Unidos na pauta de exportações de cada segmento no período anterior à implementação das tarifas, tomando como referência o ano de 2024. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.