21/Aug/2026
As propostas de governo para o agronegócio dos candidatos à Presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto ainda são genéricas. Em sabatinas ou participações em eventos públicos, os candidatos sinalizam medidas para o setor produtivo que tendem a ser tomadas em eventuais governos, mas os programas registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em sua maioria, até o momento, dispõem apenas de diretrizes gerais sobre o setor. A exceção é o candidato pelo PSD, Ronaldo Caiado, que enviou ao TSE 12 propostas específicas para o setor, caso eleito, e indicadores de acompanhamento. O presidente e candidato à reeleição Lula traz no programa de governo novos programas a serem implementados, além da continuidade das ações atuais. Em comum, todos os planos de governo possuem capítulos dedicados ao agronegócio e citam o fortalecimento do seguro rural, a ampliação da produção interna de fertilizantes e a abertura de novos mercados como frentes prioritárias ao setor. As propostas, entretanto, são dispostas em "linhas gerais", sem detalhamento de metas, orçamentos ou plano de ação. Nos bastidores, as campanhas preparam documentos específicos com ações voltadas ao setor, que tendem a ser divulgados ao longo do primeiro turno. De maneira geral, os programas de governo citam o setor produtivo como o "motor do País" e da economia nacional, como "fundamental para a balança comercial" e como uma plataforma de liderança global do Brasil.
- Lula promete continuar programas de governo
O programa do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), trata o agronegócio sob a ótica da segurança alimentar, com foco na produção de alimentos a preços acessíveis. O plano do presidente conta com um capítulo sobre segurança alimentar e produção agrícola, no qual dispõe também sobre agricultura familiar, pesca e aquicultura. "O agronegócio é fundamental para o desempenho de nossa balança comercial e para a evolução do PIB nacional. Para seu desenvolvimento são necessárias políticas que integrem a eficiência produtiva à sustentabilidade ambiental, à inovação tecnológica e à adição de valor à pauta exportadora", ressalta o plano de governo que destaca ações realizadas no mandato atual. No programa, o presidente se compromete com o fortalecimento do crédito rural, ampliação do Plano Safra a juros compatíveis com a atividade agropecuária, diversificação das fontes de financiamento com estímulo aos títulos do agronegócio e simplificação do acesso ao crédito. O programa também afirma que um eventual novo governo Lula dará "especial atenção ao fortalecimento da política de seguro rural", após sucessivos cortes realizados no orçamento da subvenção ao seguro, citando a criação de um instrumento de mitigação dos efeitos das catástrofes com integração do seguro a instrumentos de comercialização e proteção financeira", ressalta o programa. As premissas também incluem a continuidade das aberturas de mercado a produtos agropecuários diante das incertezas geopolíticas, a manutenção do programa de recuperação de pastagens degradadas, a implementação de sistemas de rastreabilidade individual do rebanho, a expansão da conectividade rural, a ampliação da produção de biocombustíveis, a aceleração da produção nacional de fertilizantes com a participação da Petrobras. Em uma menção direta à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o programa fala em fortalecimento da estatal para consolidar a liderança do Brasil em tecnologia agropecuária tropical. No programa, Lula trata o desenvolvimento do agronegócio atrelado à sustentabilidade. Entre as propostas está a implementação de um programa nacional de resiliência climática no campo e o fomento a sistemas produtivos integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). O programa de Lula destaca ainda em reiteradas vezes o comprometimento com o fortalecimento da agricultura familiar, com políticas de compras públicas direcionadas, expansão do Plano Safra da agricultura familiar com prioridade à produção de alimentos da cesta básica, ampliação da assistência técnica e extensão rural, avanço na política de reforma agrária e regularização fundiária. O documento afirma que a produção sustentável da agricultura familiar será priorizada com expansão do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) e fomento à produção nacional de bioinsumos.
- Flávio Bolsonaro foca em previsibilidade para o Agro
O programa do senador Flávio Bolsonaro (PL) também cita o agronegócio no âmbito da segurança alimentar nacional e mundial entre as diretrizes do capítulo "Brasil que cresce". "Para seguir cumprindo esse papel, precisa de previsibilidade para produzir", destaca o plano de governo do senador. Entre as propostas, o plano de governo do candidato do PL cita a ampliação do seguro rural, ferramentas de securitização e reorganização das dívidas do setor, a ampliação da capacidade de armazenamento das safras, a qualificação de mão de obra para o setor agropecuário, a possibilidade de beneficiários de programas sociais aderirem a trabalhos temporários no campo, ampliação da área irrigada com simplificação de outorgas para uso da água, implementação das metas do combustível sustentável de aviação e inclusão no Plano Safra de incentivos à produção de biomassa. No campo internacional, o programa promete "buscar soluções diplomáticas eficazes contra sanções dos Estados Unidos, da China e da Europa aos produtos nacionais". Flávio Bolsonaro também cita a dependência do Brasil do fornecimento externo de fertilizantes. "Vamos apoiar a produção nacional de fertilizantes, aproveitando as reservas de minerais que o País possui, como o potássio e o fosfato, para que o campo brasileiro produza com mais autonomia e a mesa do brasileiro fique mais protegida", destaca o documento. Outra proposta é a retomada da titulação de terras rurais e a ampliação da regularização fundiária, citando a política adotada no governo do pai Jair Bolsonaro (2019-2022). A segurança jurídica também é citada em "linhas gerais" no programa de Flávio Bolsonaro, que promete tratamento "sólido e irreversível" para o tema, "sem margem para relativizações do direito de propriedade". Na frente agroambiental, o programa de governo aborda a ampliação do pagamento por serviços ambientais para produtor que preserva vegetação nativa e a consolidação do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
- Ronaldo Caiado quer tratar Agro plataforma global
O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, é o único candidato que traz uma lista com 12 propostas específicas ao agronegócio e indicadores de acompanhamento das ações. São elas: adotar a biocompetitividade como estratégia nacional; produzir mais nas áreas já abertas; transformar o agro em infraestrutura energética estratégica; construir uma nova arquitetura de financiamento do agro; consolidar o agro no mercado de capitais; fazer do seguro rural uma política permanente; integrar a infraestrutura do campo aos mercados; reduzir a dependência externa de fertilizantes e insumos; fortalecer a Embrapa e a inovação agropecuária; converter sustentabilidade em vantagem comercial; reforçar a governança, a defesa sanitária e a inteligência de mercado; abrir mercados e garantir segurança para produzir. O plano de governo de Caiado afirma que, na sua eventual gestão, o "agronegócio será tratado como plataforma de liderança global do Brasil em alimentos, bioenergia, biotecnologia e sustentabilidade". "O plano busca elevar produtividade e valor agregado sem expansão ilegal da fronteira, recuperar pastagens, modernizar crédito e seguro, fortalecer agricultura familiar, defesa sanitária, irrigação, armazenagem, pesquisa e diplomacia comercial. A política agrícola será previsível e construída com produtores de todos os portes", ressalta o documento que menciona compromisso em transformar a "força da agricultura em um projeto nacional de desenvolvimento". "O Brasil produzirá mais nas áreas já abertas, fortalecerá a Embrapa, protegerá o produtor contra riscos, reduzirá custos, agregará valor e conquistará novos mercados", destaca, ao citar o mandato de Caiado à frente de Goiás.
- Renan Santos quer Brasil “celeiro do mundo”
O plano de governo de Renan Santos (Missão Brasil) aborda um plano para tornar o Brasil o "Celeiro do Mundo", como fornecedor global de alimentos, combinando reformas regulatórias, atração do capital privado para verticalização das cadeias produtivas. Santos inova ao relacionar as políticas voltadas ao agronegócio com inteligência artificial, em uma agenda batizada de "AgroBrasil 2030". Cinco pilares compõem o plano: fim das invasões de propriedade rural e a restauração da segurança jurídica no campo, auditoria e produtivização dos 140 milhões de hectares já destinados à reforma agrária, soberania em fertilizantes com redução da importação de 85% para 50% até 2035, salto na agroindústria e nas cadeias produtivas completas, a correção da narrativa educacional e cultural sobre o agronegócio.
Fonte: Broadcast Agro.