21/Aug/2026
A China criticou a possibilidade de os países serem pressionados a escolher entre os ecossistemas de inteligência artificial (IA) dos Estados Unidos e da China, após relatos de que o governo norte-americano planeja enviar uma carta aos signatários de uma declaração conjunta sobre parcerias em IA. A iniciativa dos Estados Unidos teria como objetivo solicitar que os países não participem simultaneamente de iniciativas norte-americanas e de outros mecanismos considerados incompatíveis com elas, o que, na prática, restringiria a participação conjunta nos ecossistemas de IA dos Estados Unidos e da China. O Ministério das Relações Exteriores da China defendeu que a inteligência artificial constitui um ativo de interesse global e que a comunidade internacional busca ampliar a cooperação no setor.
A posição chinesa é de que cada país deve ter autonomia para selecionar parceiros de acordo com suas condições nacionais e necessidades de desenvolvimento. A China também rejeita a formação de alinhamentos e a lógica de confronto entre blocos em torno da inteligência artificial. A China defende o abandono de uma abordagem de soma zero, com ampliação da cooperação e do apoio mútuo entre os países, além do respeito à soberania digital de cada nação. A estratégia defendida pelo governo chinês prevê a construção de um sistema global de governança de inteligência artificial considerado justo e razoável. Nesse modelo, a IA deverá contribuir para a prosperidade compartilhada e para a segurança coletiva, em um ambiente de cooperação internacional e menor fragmentação tecnológica entre blocos.
Ainda, o conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Peter Navarro, reiterou acusações de suposta interferência da China nas eleições norte-americanas de 2020 e defendeu a investigação da comunidade de inteligência dos Estados Unidos, incluindo órgãos como o FBI e a CIA. Em artigos publicados no Substack, Navarro alegou que a China teria uma estrutura preparada para atuar nas eleições norte-americanas a qualquer momento, sem apresentar provas que sustentem as acusações. Navarro afirmou que integrantes da comunidade de inteligência dos Estados Unidos teriam trabalhado para ocultar do então presidente Donald Trump informações relacionadas à suposta interferência chinesa nas eleições de 2020. Naquele pleito, Trump foi derrotado pelo democrata Joe Biden. O republicano não reconheceu o resultado e posteriormente utilizou alegações de fraude eleitoral como argumento político, embora tenha sido eleito novamente em 2024, quando derrotou a democrata Kamala Harris.
Segundo Navarro, documentos indicariam que a China teria atuado nas eleições de 2020 por meio de uma estrutura integrada que poderia influenciar a disputa presidencial. Em outro artigo, publicado anteriormente, o conselheiro também apontou que a China teria identificado como vulnerabilidades a recessão nos Estados Unidos, a pandemia de Covid-19, conflitos raciais, imigração e outros fatores relacionados ao governo Trump. Navarro defende que o Congresso dos Estados Unidos conduza uma investigação ampla sobre o caso e examine todos os documentos relacionados às alegações. A proposta inclui o depoimento formal de analistas, supervisores, integrantes da direção do FBI e chefes de órgãos de inteligência envolvidos na análise das informações.
O conselheiro sustenta que autoridades da comunidade de inteligência teriam reduzido a relevância eleitoral de determinadas informações, fragmentado dados, retardado sua divulgação e posteriormente retirado sua consideração. Porém, não há provas conclusivas de que a China tenha alterado o total de votos da eleição de 2020. Para Navarro, a questão central está na suposta criação de mecanismos capazes de influenciar o sistema eleitoral norte-americano. Esses mecanismos poderiam ser utilizados pela China nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para ocorrer em três meses. As acusações colocam novamente no centro do debate norte-americano a possibilidade de interferência estrangeira em processos eleitorais e o papel das agências de inteligência na identificação e divulgação de riscos relacionados à segurança eleitoral. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.