19/Aug/2026
Os Estados Unidos e o Canadá intensificaram as negociações comerciais nesta terça-feira (18/08) para tentar alcançar um acordo antes do prazo estabelecido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, às 00h01 de 19 de agosto. Sem entendimento, tarifas de 50% entrarão em vigor sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, abrangendo itens como tacos de hóquei e abaixadores de língua utilizados por médicos. As negociações foram “intensas e delicadas”. A postura de Trump em relação ao Canadá representa uma mudança significativa na tradicional relação de cooperação entre os dois países. Além da política tarifária, o presidente norte-americano tem feito reiteradas referências à possibilidade de transformar o Canadá no 51º Estado dos Estados Unidos. Cerca de 72% das exportações canadenses de bens realizadas no ano passado tiveram os Estados Unidos como destino, o que aumenta a exposição do Canadá à disputa comercial.
Para os Estados Unidos, a aplicação de uma nova tarifa elevada também pode gerar custos adicionais para importadores e consumidores norte-americanos, em um momento de preocupação com o custo de vida e proximidade das eleições de meio de mandato de novembro. Entre os objetivos norte-americanos nas negociações estão o aumento das compras canadenses de equipamentos militares dos Estados Unidos, incluindo caças F-35, a participação do Canadá no sistema de defesa antimísseis Golden Dome e maior acesso norte-americano a minerais essenciais, reduzindo a dependência de fornecedores chineses. O Canadá, por sua vez, busca obter isenção das tarifas norte-americanas sobre aço, alumínio e madeira macia, esta última submetida a medidas dos Estados Unidos sob a alegação de receber subsídios governamentais considerados injustos. A política tarifária tornou-se um dos principais eixos da agenda econômica de Trump no segundo mandato.
No ano anterior, o governo norte-americano havia imposto tarifas de dois dígitos sobre produtos de praticamente todos os países, justificando a medida pela necessidade de enfrentar o déficit comercial dos Estados Unidos. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte norte-americana concluiu que Trump havia excedido sua autoridade ao impor essas tarifas, abrindo caminho para o pagamento de reembolsos aos importadores. O governo passou então a buscar outros instrumentos legais para reconstruir a barreira tarifária. No mês anterior, foram impostas tarifas de importação de 10% a 12,5% sobre produtos de 59 países e da União Europeia, abrangendo economias responsáveis por 99% das importações norte-americanas, sob a alegação de ausência ou insuficiência de restrições às importações associadas ao trabalho forçado. Para pressionar o Canadá, Trump recorreu à Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, instrumento que permite ao presidente norte-americano impor tarifas de até 50% sobre importações de países considerados discriminatórios contra empresas dos Estados Unidos.
A legislação não exige investigação prévia e não estabelece limite de duração para as tarifas. Segundo Trump, o Canadá discrimina exportações norte-americanas de automóveis, bebidas alcoólicas e queijos. A utilização da Seção 338 é inédita. Historicamente, os negociadores comerciais dos Estados Unidos recorreram com maior frequência à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo Trump para as tarifas relacionadas ao trabalho forçado. A legislação de 1930, conhecida como Smoot-Hawley, foi aprovada durante a Grande Depressão e elevou significativamente as tarifas de importação dos Estados Unidos. O mecanismo é associado historicamente à redução do comércio internacional e ao agravamento da crise econômica global. A disputa ocorre paralelamente à renegociação do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que substituiu o antigo Nafta. A ameaça de novas tarifas amplia a pressão norte-americana por concessões do Canadá durante as discussões sobre o futuro do acordo comercial regional.
Para o Canadá, entretanto, a negociação é condicionada pela pressão da opinião pública doméstica contra as políticas comerciais de Trump. Caso as tarifas de 50% sejam implementadas, o Canadá poderá voltar a adotar medidas retaliatórias, ampliando a disputa entre os dois países. A necessidade de preservar espaço político para o governo canadense também limita a possibilidade de novas concessões sem contrapartidas. O desafio é alcançar um entendimento que reduza as barreiras comerciais sem transmitir a percepção de que o país está apenas cedendo às exigências norte-americanas, o que poderia ampliar a pressão política interna e aumentar a vulnerabilidade do Canadá a novas medidas comerciais e geopolíticas. Assim, um possível acordo entre Estados Unidos e Canadá para evitar a entrada em vigor nesta quarta-feira (19/08) de novas tarifas sobre produtos canadenses está agora sob avaliação do presidente norte-americano, Donald Trump.
Fontes indicam que o entendimento está em discussão e que caberá a Trump decidir sobre a aplicação da tarifa de 50%. O governo dos Estados Unidos pressionou o Canadá a abandonar medidas retaliatórias adotadas em resposta às tarifas impostas por Trump no ano passado. Entre essas medidas estão proibições provinciais sobre bebidas alcoólicas norte-americanas e tarifas aplicadas a automóveis dos Estados Unidos. Em contrapartida, o Canadá busca reduzir as tarifas norte-americanas incidentes sobre automóveis e outros produtos. O possível acordo também envolve concessões do Canadá relacionadas à sua cota tarifária para produtos lácteos. A questão tem sido recorrente nas críticas de Trump à política comercial canadense e aparece como um dos pontos em negociação para tentar evitar uma nova escalada tarifária entre os dois países. A tarifa adicional de 50% sobre produtos canadenses foi anunciada pelos Estados Unidos para entrar em vigor em 19 de agosto e inclui itens como bebidas alcoólicas, laticínios, móveis, sementes, roupas e outros produtos, embora determinadas categorias estejam sujeitas a exceções. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.