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18/Aug/2026

Dólar recua ante Real após cinco altas seguidas

Após registrar alta em todas as sessões da semana anterior, acumulando valorização de 2,68% e atingindo o maior nível de fechamento desde 30 de março, o dólar recuou 0,36% no mercado brasileiro nesta segunda-feira (17/08), para R$ 5,20. O movimento refletiu um ambiente externo inicialmente favorável às moedas de países emergentes, abrindo espaço para uma recuperação técnica do Real, que apresentou um dos melhores desempenhos entre as principais divisas líquidas. A cotação chegou à mínima de R$ 5,18, mas perdeu intensidade, acompanhando a deterioração do ambiente externo provocada pela alta dos juros dos Treasuries e pela valorização do petróleo. O contrato do Brent para outubro superou US$ 90,00 por barril, com alta de 2,65%, diante do aumento das tensões no Oriente Médio. A maior aversão ao risco passou a se sobrepor, na formação da taxa de câmbio, a uma eventual melhora dos termos de troca brasileiros decorrente da valorização do petróleo.

Depois de oscilar ao redor de R$ 5,20 nas duas últimas horas de negócios, o dólar encerrou em R$ 5,20. Em agosto, a moeda acumula alta de 2,58%, após recuar 1,79% em julho. No ano, a variação permanece negativa em 5,24%. No ambiente doméstico, o posicionamento dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil também permanece como fator de atenção diante da proximidade da eleição presidencial. A avaliação é de que o movimento observado na semana anterior contribuiu simultaneamente para a queda da Bolsa e para a valorização do dólar. A trajetória do câmbio também permanece condicionada às decisões do Banco Central sobre a Selic e à evolução da atividade econômica e da inflação. A expectativa predominante é de continuidade do ciclo de redução dos juros brasileiros até o fim do ano, enquanto, nos Estados Unidos, a manutenção dos juros neste ano permanece como cenário mais provável, embora uma eventual alta pelo Federal Reserve pudesse exercer pressão adicional sobre o Real.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,64% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal. Os dados reforçam a percepção de perda de dinamismo da atividade econômica brasileira. No ambiente eleitoral, permanecem as incertezas sobre os impactos dos diferentes cenários políticos sobre a política fiscal, a política monetária e, consequentemente, sobre a atratividade dos ativos denominados em Real. O Banco Central também atuou no mercado de câmbio. Além da rolagem diária de swaps, com a venda de 50 mil contratos, equivalentes a US$ 2,5 bilhões, a autoridade monetária vendeu a oferta integral de US$ 1 bilhão em linha, operação de venda de dólares com compromisso de recompra, para a rolagem do vencimento de 2 de setembro. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operava próximo de 99,500, com queda de 0,08%.

O índice acumula recuo de aproximadamente 0,20% em agosto, mas ainda registra alta superior a 1,30% no ano. Após a divulgação de indicadores recentes de atividade e inflação nos Estados Unidos, ganhou força a expectativa de manutenção dos juros norte-americanos em setembro. A ata da reunião de política monetária do Federal Reserve realizada no fim de julho, prevista para divulgação em 19 de agosto, deverá fornecer novos elementos sobre a divisão entre os dirigentes em relação à necessidade de uma alta dos juros ainda neste ano. Três dirigentes votaram por uma elevação da taxa na reunião de julho, mas dados mais recentes de emprego e inflação reduziram a probabilidade de adesão dos dirigentes mais moderados a uma política monetária mais restritiva. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.