18/Aug/2026
O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz caiu quase 20%, de 118 para 95, segundo monitoramento da Marine Traffic. O número diário de embarcações tombou do recente pico de 19, alcançado em 11 de agosto, para apenas 3 navios em 16 de agosto. Do total, 21 passagens utilizaram o Esquema Unilateral Iraniano e 44 usaram rotas desconhecidas, nenhuma delas atribuídas a rota marítima por Omã. A queda abrupta no tráfego ocorre em meio ao impasse entre Estados Unidos e Irã sobre retomada de negociações de paz. De acordo com a Al-Mayadeen, centenas de navios aguardam ao sul de Ormuz pelas aprovações necessárias da marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) para atravessar a rota em segurança. Segundo a Reuters, o Irã decidiu mudar sua política de defensiva para "totalmente ofensiva" e está preparado para intensificar as tensões no Estreito de Ormuz, devido justamente à estagnação das conversas para colocar um fim definitivo na guerra. As autoridades pretendem conduzir um ataque "oportuno e preciso" para romper o bloqueio naval dos Estados Unidos, caso a diplomacia fracasse.
Por outro lado, o Estreito de Bab el-Mandeb, que também tem sido utilizado como ponto de pressão durante a guerra, teve aumento de 6,7% na navegação, conforme a Marine Traffic. Foram 150 navios entrando no Mar Vermelho e 104 saindo, totalizando 254 embarcações ante 238 no levantamento passado. Os trânsitos em modo "sombra", ou ocultos, tombaram de 40 para 16, embora exposições de segurança e compliance tenham persistido. Ainda assim, permanece o ambiente de tensões no Mar Vermelho agravado pelos conflitos entre Houthis e Arábia Saudita. O grupo militante do Iêmen, que também é alinhado ao Irã, assumiu responsabilidade por um ataque com mísseis balísticos contra um navio militar saudita e quatro embarcações de escolta, nas proximidades da cidade de Moca. Os Houthis também afirmaram ter lançado uma ofensiva com drones contra forças do governo na província de Marib. Paralelamente, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) alertou que um navio foi abordado por oito pessoas armadas, que tomaram controle da embarcação na região de Mareero, Somália, no Golfo de Áden.
Segundo o alerta, autoridades investigam a situação e navios devem navegar com cuidado pela região, reportando atividades suspeitas ao UKMTO. Assim, o número de embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz no início desta semana está abaixo do registrado no início da semana anterior, refletindo o receio das companhias marítimas de enviar seus ativos para a região diante do risco de ataques. O movimento mantém elevada a percepção de risco sobre a oferta de petróleo no Oriente Médio. A redução do tráfego é apontada pela StoneX como o principal fator para a continuidade da alta dos preços do petróleo. A percepção de risco permanece relacionada às dificuldades para avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã e à expectativa de que não seja firmado, no curto prazo, um acordo oficial entre Estados Unidos e Irã. Esse cenário tende a manter restrita a oferta dos países do Golfo Pérsico destinada a outras regiões do mundo, em razão das limitações ao tráfego pelo Estreito de Ormuz. Em contrapartida, a alta dos preços do petróleo permanece limitada pelos dados oficiais de refino da China.
Os indicadores mostram manutenção em relação ao mês anterior, mas permanecem em níveis significativamente inferiores aos registrados em igual período de 2025. O cenário indica menor consumo de petróleo pela China em um ambiente de maior disponibilidade de produtos derivados no mercado. A menor demanda chinesa por petróleo também reduz o volume importado pelo país asiático, mantendo as compras em níveis inferiores aos observados antes do início da guerra. Dessa forma, enquanto os riscos de interrupção da oferta no Oriente Médio sustentam os preços, a menor demanda da China atua como fator de contenção das altas. Dados de navegação marítima mostram que um petroleiro pertencente a uma empresa dos Emirados Árabes Unidos foi parado enquanto passava pelo Estreito de Ormuz. De acordo com os arranjos do Irã para passagem segura pelo Estreito de Ormuz, a rota iraniana é uma das condições, e o pagamento por serviços e permissão do Irã são outras condições que os petroleiros devem cumprir. O petroleiro dos Emirados Árabes Unidos parou perto de Qeshm. Fontes: Broadcast Agro e Fars. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.