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17/Aug/2026

Dólar sobe com riscos da Reciprocidade sobre EUA

O dólar encerrou a sessão de sexta-feira (14/08) em alta de 0,52% ante o Real, a R$ 5,21, no maior nível de fechamento desde 30 de março, quando terminou em R$ 5,24. A moeda norte-americana acumulou avanço de 2,68% na semana passada e de 2,95% em agosto, após queda de 1,79% em julho. Durante a sessão, chegou à máxima de R$ 5,24. O movimento de alta refletiu a maior percepção de risco doméstico após o governo brasileiro iniciar o processo para adoção do mecanismo de reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. A medida acrescentou incerteza à trajetória do Real diante do risco de escalada da disputa comercial, em um ambiente já marcado pela saída de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira e pelo aumento da demanda por proteção cambial. A proximidade das eleições presidenciais também passou a exercer maior influência sobre os ativos brasileiros.

O mercado reavalia as perspectivas para a situação fiscal e para a condução da política econômica a partir de 2027, aumentando a sensibilidade do câmbio às notícias relacionadas ao processo eleitoral, às sinalizações fiscais e às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A demanda por hedge cambial também ganhou força entre importadores diante da possibilidade de continuidade da valorização do dólar. O movimento de saída de recursos da Bolsa brasileira e o aumento da volatilidade cambial podem se intensificar à medida que se aproxima o período eleitoral, contribuindo para limitar uma eventual recuperação do real. No exterior, o índice DXY, que acompanha o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,31%, aos 99,653 pontos. O indicador acumula queda de cerca de 0,15% em agosto.

A pressão sobre a moeda norte-americana no exterior ocorreu mesmo com a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro. Os dados econômicos dos Estados Unidos também contribuíram para o enfraquecimento do dólar globalmente. Após indicadores mais fracos do mercado de trabalho e leituras moderadas da inflação ao consumidor e ao produtor, as vendas do varejo em julho recuaram 0,6% ante junho, contrariando a expectativa de alta de 0,1%. Apesar do ambiente externo menos favorável ao dólar, o Real apresentou desempenho inferior ao de outras moedas emergentes, evidenciando o aumento da influência de fatores domésticos sobre a formação da taxa de câmbio. A combinação entre riscos eleitorais, preocupações fiscais, saída de capital da renda variável e incertezas relacionadas à política comercial tende a manter a moeda brasileira mais volátil nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.